O criador Vasco Freire rebate as afirmações de Bento Castelhano

O criador Vasco Freire rebate as afirmações de Bento Castelhano

Vasco Freire
Sócio da APSL nº 501.

Li o artigo de opinião publicado no Equisport Online, da autoria do Juíz da raça Lusitana Sr. Bento Castelhano, sobre o tema “Julgamento e Admissão de Reprodutores”.

2. Apenas na qualidade de criador da raça e não como membro da Direcção da APSL, quero contraditar algumas opiniões e princípios anunciados, porque estou completamente em desacordo.

3. Nesse referido artigo foram emitidas opiniões, conceitos e princípios que são errados, graves e lesivos dos interesses da raça, contrários às orientações que a actual Direcção da APSL tem procurado implementar na uniformização de critérios por parte de todos os Juízes, confundem e ofendem os criadores e desacreditam os julgamentos.

4. Em 15 e 27 de Junho de 2011, a APSL enviou aos sócios as circulares nº 316 e nº 317, cujas cópias anexo, onde nos dá conta dos esforços e trabalho realizado junto dos Juízes, no sentido de uniformizar critérios de selecção, tendo como única referência o Padrão da Raça, de modo a evitar a disparidade de critérios pessoais de cada Juíz, onde no ponto 3 diz o seguinte:“Voltamos a afirmar que, tendo como objectivo uma melhor uniformização de critérios de avaliação por parte de todos os juízes, o “Padrão da Raça” é o único “guião” a ser aplicado por todos como referência nos julgamentos.”

5. Em Julho de 2011 foi realizado o 1º Congresso Mundial da Raça, onde estiveram presentes criadores não só de Portugal, mas também de todo o Mundo, representando as 14 Associações de criadores da raça no estrangeiro. Durante dois dias procedeu-se a um profundo debate de vários temas, entre eles, o padrão da raça e a sua actualidade face às raças modernas do norte da Europa. No final foram apresentadas as cinco conclusões (anexo) aceites por unanimidade, cujo ponto 3 diz o seguinte:

Existe um “padrão da raça”, bem definido e explícito, que deve servir como guia para os criadores de todo o mundo. O mesmo padrão da raça deverá ser usado como único critério uniforme, para a selecção e o julgamento dos animais, a ser aplicado em todos os países.

6. Sou também criador de cavalos Alemães e sócio desde 2002 da Associação de Criadores de Cavalos Hannoverianos em Verden, estando sempre muito interessado e atento a tudo o que se passa na criação Alemã e Holandesa nas diversas raças.Verifico que cada vez mais a selecção efectuada nesses países vai ao encontro do antigo cavalo de sela da Península Ibérica e consequentemente ao encontro do nosso padrão de raça, tanto na morfologia como principalmente nos andamentos, cujo ponto 5 diz o seguinte:

(Ágeis e elevados, projectando-se para diante, suaves e de grande comodidade para o cavaleiro)

7. Tenho de recordar o Juíz Bento Castelhano, que o Padrão da Raça foi um documento produzido em 1967, aquando da fundação do Stud-Book, por um grupo de criadores e cavaleiros ilustres, de reconhecida capacidade técnica e paixão pela raça Lusitana. Tiveram como base de referência os melhores cavalos da época, fruto de uma selecção de centenas de anos através da funcionalidade e só da funcionalidade! Portanto, muita atenção, não foi o padrão que serviu de base à selecção, mas sim a selecção na função que produziu o documento “Padrão da Raça”! É bom saber o que se passou antes de nós …

Quando da constituição da actual APSL em 1990, o padrão sofreu pequenas actualizações, aprovadas por todos os criadores em Assembleia Geral.Entretanto, 22 anos passados, a raça evoluiu e é natural que Hoje também se deveria actualizar alguns pequenos detalhes, mas o essencial está correcto, actual e moderno !

8. Quando o Juíz Bento Castelhano afirma no seu artigo:“Numa zootecnia antiquada, actualmente ultrapassada, as acções de selecção limitavam-se a privilegiar os animais melhor conformados, exclusivamente de acordo com um “padrão racial”. Ainda há muitos “sectores” na Nossa Raça Lusitana completamente dependentes deste preconceito. Eles continuam convencidos que se seleccionarmos para o “padrão” teremos cavalos fantásticos, polivalentes e imbatíveis em todas as disciplinas equestres… Para além de pensarem que preservam características genéticas… “Vem demonstrar que não está de acordo, nem com as indicações da actual Direcção da APSL, nem com as conclusões do congresso da raça e que na sua cabeça o padrão está ultrapassado, velho e caduco…! Julgo que era mais positivo e construtivo que tivesse transmitido essa sua convicção no local próprio de discussão desse tema, que são as reuniões de trabalho entre Juízes e a Direcção e não na praça pública …

9. Mas a determinada altura no seu artigo reconhece com algum esforço, que para a avaliação na inscrição no livro de adultos: “ A base de trabalho dos Juízes tem de ser o padrão da raça!”

10. Além de esse Sr. Juíz achar que a descrição do padrão “é aborrecida”, aconselha os criadores a consultar o documento… mas informa de seguida que no seu “artigo” que pretende que seja “sucinto” e “interessante” irá “privilegiar os aspectos e critérios” nos quais se baseia para dar as notas nos “parâmetros avaliados”…

11. Então vejamos o seu raciocínio em relação a dois parâmetros que escolheu como exemplos:

a) Um cavalo com muito bom pescoço, mas que ao ser montado tem problemas de equilíbrio … vai ter, na sua opinião, uma nota mais baixa no tal muito bom pescoço…Assim,Ficámos a saber que o Sr. Bento Castelhano acha que o equilíbrio de um cavalo montado tem só a ver com a utilização do seu pescoço … e no caso com um muito bom pescoço! Enfim …

b) Um cavalo com um mau dorso … mas bem montado … vai ter uma nota mais alta no dorso …Assim, segundo este critério:

Os criadores não têm que se preocupar em seleccionar nos seus animais bons dorsos … mas sim contratar apenas bons cavaleiros, é muito mais fácil …Depois de analisar os critérios que o Sr. Bento Castelhano privilegia nas suas pontuações … ficam muitas dúvidas e hipóteses … como por exemplo:Um cavalo com membros muito bons, mas infelizmente mal montado por um cavaleiro medíocre … irá baixar a nota dos membros?

E assim por diante…

12. Os julgamentos e avaliações de reprodutores, foi e será sempre subjectivo, mas quando um Juíz lhe acrescenta os seus critérios pessoais não regulamentados, ainda se tornam mais subjectivos e motivadores de mais controvérsia, mais confusão e descrédito!

13. Nas frases onde afirma:

“O trabalho da selecção vive da informação ao criador”“

Não deixa de ser curioso pensar em quantos casos de Criadores e Associações conhecemos que, primeiro pensam em produzir e só depois, mas mesmo assim nem sempre, informar-se”

O Juíz Bento Castelhano está completamente baralhado, é que a selecção da raça é feita com o saber e a paixão de todos os criadores e não pelos juízes … existem muitos criadores, que não querem nem saber a opinião de alguns juízes, para não serem induzidos em erro …

14/02/2012