JEM 2010: Holanda leva ouro na Dressage por equipas

JEM 2010: Holanda leva ouro na Dressage por equipas

Vitória ‘sofrida’ mas justa da Holanda, ao conquistar esta terça-feira o ouro por equipas, no Mundial do Kentucky 2010, apesar da eliminação de um dos seus conjuntos, Adelinde Cornelissen com Jerich Parzival”, fechando a participação dos três cavaleiros com uma pontuação de 229,74 pontos.

Na composição da pontuação holandesa contaram as exibições do fantástico Moorlands Totilas de Edward Gal, que conquistou o primeiro lugar individual com uma pontuação 84,043 por cento, seguido da sétima classificada no Grande Prémio, Imke Schellekens-Bartels com Hunter Douglas Sunrise, teve uma nota de 73.447 por cento, e Hans Peter Minderhoud, com 72,255 por cento com Exquis Nadine, décimo classificado.

O segundo lugar do pódio foi ocupado pela Grã Bretanha, com uma pontuação de 224,767 por cento, e que teve em Laura Bechtolsheimer, segunda da geral individual, a melhor nota com 82,511 por cento, com o cavalo Mistral Hojris. A medalha de bronze por equipas foi conquistada com um global de 220,595 por cento pela Alemanha, a escassos quatro pontos da Grã Bretanha, e que teve em Isabell Werth, quarta da geral individual, a melhor nota 75,404 por cento, com Warum Nicht FRH.

Para a competição individual, passaram às meias-finais 31 cavaleiros, numa lista que abre com o holandês Edward Gal com Moorlands Totilas, e fecha com o austríaco Peter Gmoser, com o cavalo Cointreau, que obteve no Grande Prémio, 67,750 por cento.

Surpreendente resultado da equipa Espanhola (209,91) alcançou um honroso sexto lugar, na ausência da olímpica Beatriz Ferrer-Salat, atrás dos Estados Unidos e da Dinamarca, pertencendo o melhor resultado a Juan Manuel Muñoz com o PRE Fuego XII (73,957).

Por equipas, Portugal aparece na lista em 11º lugar com uma pontuação de 199,57 por cento, encerrando as competições no Mundial, com a destacada prestação dos debutantes, Mafalda Galiza Mendes, 33ª posição geral individual com D’Artagnan (67,489%) e Gonçalo Carvalho, 35º classificado com Rubi (AR) (66,766%). O olímpico Daniel Pinto terminou em 49º lugar com o PSL Galopin de La Font (65.319%).

600

PARTICIPAÇÃO IBÉRICA NA DRESSAGE INTERNACIONAL

Torna-se importante, senão mesmo fundamental, fazer uma alusão incisiva aos meandros da participação das raças ditas Ibéricas, nas inúmeras prestações ao nível da dressage Internacional, nomeadamente os Jogos Equestres Mundiais que estão a decorrer em Kentucky.  É do conhecimento do mundo o investimento na componente técnica, que no entendimento de alguns, constitui o garante maior na elevação do nível das prestações dos diversos conjuntos implicados. Nesse propósito exclusivista, contratam-se treinadores de grande reputação Internacional. A melhoria nos desempenhos das raças barrocas acompanhou e superou as expectativas dos mais pessimistas! As imagens e alguns dos resultados não negam esta evidência, veja-se o caso do PRE Fuego XII.

Apesar disso, daqui e dali, dentro do círculo nórdico da dressage, surgem duros silêncios e críticas, que urge destrinçar e tentar perceber. Apontam falhas na amplitude, falhas nas piruetas, falhas na capacidade galopadora, e um rol de críticas muito incidentes nos andamentos.  Mais para Sul, os mais apaixonados pelo cavalo Ibérico, assumem como explicação para essas críticas, que a mudança é olhada pelo Norte da Europa com desconfiança, um certo nacionalismo temerário, e nalguns casos com o preconceito do ideal pré-concebido. Entende-se esta postura patriótica, mas há que corrigi-la como se da educação de um filho se tratasse! Há que perceber que só se consegue ultrapassar a barreira das críticas nórdicas com um acompanhamento cultural e de mentalidade dos países mais desenvolvidos. O estado do nosso país é sintomático da nossa cultura e das mentalidades a ela associadas. No entendimento da maioria, somos os mais desenrascados e desenvoltos, mas o azar persegue o nosso PIB!!!

Ao nível do plano de melhoramento de qualquer raça de cavalos de sela, existem algumas perguntas que carecem de resposta. Estas são: existem métodos de selecção adequados à produção de atletas de nível olímpico em dressage? O que está a ser feito em termos de melhoria da capacidade atlética e de resistência ao esforço? Como se está a avaliar o carácter do efectivo? O que está a ser feito no plano da durabilidade? Estas são perguntas de fácil resposta para quem orienta as raças dos países do Norte da Europa, e de difícil digestão para os orientadores das raças dos dois países mais ao Sul da Europa. Qualquer treinador sério fará estas perguntas, e pasmará com o embaraço da ausência de respostas! É um símbolo de impossibilidade, na construção de uma casa, inverter as prioridades e o seu escalonamento, ou seja, dar prioridade ao telhado e às paredes, e esquecer a importância das fundações. Compreenda-se em definitivo que, quer vindas de fora, quer ao nível nacional, as críticas devem ser encaradas com positivismo, pois na capacidade de resposta às mesmas, está o Gral da melhoria de qualquer raça.

RESULTADOS (29.09.10)

PROVA POR EQUIPAS (GRANDE PRÉMIO)

1º (OURO) – HOLANDA –  229.745 Hunter Douglas Sunrise (Imke Schellekens-Bartels) 73.447, Exquis Nadine (Hans Peter Minderhoud) 72.255; Moorlands Totilas (Edward Gal) 84.043; Jerich Parzival (Adelinde Cornelissen) Elim.

2 (PRATA) – GRÃ BRETANHA –  224.767 Wie Atlantico de Ymas (Fiona Bigwood) 70.128, Two Sox (Maria Eilberg) 68.213: Liebling 11 (Carl Hester) 72.128; Mistral Hojris (Laura Bechtolsheimer) 82.511.

3 (BRONZE) – ALEMANHA 220.595 Donnperignon (Christoph Koschel) 72.638, Dablino (Anabel Balkenhol) 67.702; Sterntaler-Unicef (Matthias Alexander Rath) 72.553; Warum Nicht FRH (Isabell Werth) 75.404.

INDIVIDUAL

1º Moorlands Totilas (Edward Gal) HOL 84.043%
2º Mistral Hojris (Laura Bechtolsheimer) GBR – 82.511
3º Ravel (Steffen Peters) EUA –  78.596
4º Warum Nicht (Isabell Werth) ALEM – 75.404
5º Fuego XII (Juan Manuel Munoz) ESP – 73.957
6º Digby (Nathalie Zu Sayn-Wittgenstein) DIN – 73.830
7º Hunter Douglas Sunrise (Imke Schellekens-Bartels) HOL – 73.447
8º Donnperignon (Christoph Koschel) ALE – 72.638
9º Sterntaler-Unicef (Matthias Alexander Rath) GER – 72.553
10º Exquis Nadine (Hans Peter Minderhoud) HOL – 72.255

33º D’Artagnan (Mafalda Galiza Mendes) POR – 67.489
35º Rubi (Gonçalo Carvalho) POR – 66.766
49º Galopin de La Font (Daniel Pinto) POR – 65.319

 

 

Categorias: Artigos, Dressage