Fundação Alter Real: Futuro decidido em 60 dias

Fundação Alter Real: Futuro decidido em 60 dias

A Fundação Alter Real está na mão dos fundadores que têm 60 dias para apresentar um projecto caso queiram avançar, ou então a Fundação será extinta. Nesse caso vários serviços poderão ser integrados noutras estruturas do Ministério da Agricultura, mas a prioridade é manter a Coudelaria e a produção equina do Alter Real, património genético do País. A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, dormiu domingo em Alter com a família e na segunda-feira presidiu a uma longa reunião de trabalho na Biblioteca da Coudelaria que envolveu todos os membros da Fundação Alter Real (FAR).Também o secretário de Estado Daniel Campelo participou na reunião, tal como António Borges, consultor do Governo e cuja equipa trabalha também no projecto de extinção de Fundações.

O comendador Rui Nabeiro, da Delta, representantesdo Grupo Xavier de Lima ou o presidente da Câmara da Golegã foram muitas das personalidades presentes na reunião que teve momentos de alguma tensão, que decorreu na Biblioteca durante a manhã e terminou já a meio da tarde.A ministra Assunção Cristas anuiu falar ao Jornal Alto Alentejo e fez um balanço positivo, pois afirma que «tivemos uma boa reunião com todos os fundadores, dentro daquilo que é a avaliação do Governo sobre todas as fundações, e também da FAR. Como é sabido temos estado a trabalhar e a acompanhar esta situação, mas esperávamos este momento da avaliação de todas as fundações para podermos ter uma boa conversa com os fundadores e definir os vários pontos.

A ministra explica que «no fundo olhámos para dois cenários possíveis: um cenário em que os fundadores apresentam uma proposta para dinamização da própria Fundação, e um cenário em que não havendo esse interesse, nós procuraremos alternativas para que se mantenha seguramente o serviço público, que está por exemplo no Laboratório de Genética, que está na manutenção da Coudelaria, que são aspectos importantes dos quais o Estado não pode prescindir que sejam realizados.Portanto é este o balanço, agora “a bola” ficou do lado dos fundadores, e aguardamos mais um pouco para depois podermos tomar a decisão.

Portanto, todos os fundadores estão mobilizados, todos mostraram interesse em prosseguir o seu envolvimento e agora eu espero que se organizem e apresentem um estudo mais concreto sobre como é que podia ser o envolvimento dos próprios fundadores. Para nós é importante que se mantenha o serviço público que é o Laboratório de Genética, com o Livro de Registo, e naturalmente que se mantenha a própria produção e a manutenção do património genético da eguada. Portanto, teremos de encontrar uma forma mais sustentável do ponto de vista económico-financeiro».

A governante admite ainda que tal possa ser através do turismo, «ou então ficando dentro daquilo que é o próprio serviço público, há a opção de fazer a integração em vários organismos que já existem, mas sempre mantendo as coisas aqui em  Alter e com a dinâmica de Alter»«E com o nome de Coudelaria de Alter?», perguntámos, e Assunção Cristas respondeu que «sim, com certeza – isso é  inquestionável».

O presidente da Câmara de Alter e membro do Conselho de Administração da Fundação, Joviano Vitorino, mostra-se optimista relativamente a uma decisão em breve sobre a situação da FAR e sobre o futuro da Coudelaria.«A situação como está é que não é boa, seja para a Coudelaria, para as pessoas, para Alter ou para a região», por isso o que importa «é tomar as decisões que sejam melhores para todos, para os funcionários, para Alter e para a região, e pôr a Coudelaria a funcionar».

Joviano Vitorino declara ainda que «fiquei muito agradado com a receptividade da senhora ministra que mostra que quer resolver a situação sem que a Coudelaria e Alter sejam prejudicados mas sim beneficiados».O presidente da Companhia das Lezírias e por inerência presidente da FAR, António Saraiva, mostra-se confiante, pois «os fundadores ficaram a conhecer qual é a posição do Governo, ouviram quais as opções postas em cima da mesa, e foi-lhes dado um papel importante e do maior envolvimento no futuro da Fundação, segundo um modelo semelhante ao que existe hoje em dia, se a fundação tiver viabilidade económico- financeira e fizer sentido do ponto de vista jurídico.

Se não, o Governo terá um modelo, uma alternativa diferente, tentando privilegiar e manter tanto quanto possível os postos de trabalho e as funcionalidades que existem hoje aqui, das quais a criação de cavalos que continua a existir aqui como sempre existiu, porque também não faz sentido que ela exista neste local.  Portanto temos um horizonte relativamente próximo desenhado no sentido de haver decisões, e que é de 60 dias, pois para o próximo ano não haverá Orçamento de Estado para a fundação, e é muito difícil de encontrar dinheiro de qualquer outro organismo de Estado para pagar os salários às pessoas, portanto tem que se arranjar uma proposta que dê tempo ao Governo para reagir e encontrar uma solução viável.Uma outra hipótese, dentro de um plano B, passaria pela parte da Coudelaria ser integrada com a Companhia das Lezírias, partilhando assim de algumas sinergias.Continuaria a existir a Coudelaria de Alter, havendo uma sinergia de know how dos dois lados, e de muitos mais recursos que hoje em dia não existem porque não estão disponíveis em termos financeiros. Por isso seria a companhia a “ajudar” a  Coudelariaa ter um futuro melhor do que tem tido».Entretanto Alter e a região, bem como todo o mundo equino continuam a aguardar ansiosamente uma solução que se esperava ter sido alcançada já há muito.

Fonte: Jornal Alto Alentejo

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