FEP: Comunicado sobre o surto de Herpes Vírus Equino

FEP: Comunicado sobre o surto de Herpes Vírus Equino

A Federação Equestre Portuguesa através do Comunicado sobre o surto de Herpes Vírus Equino, datado de 3 de Março de 2021, informa:

Como é do conhecimento Geral, no dia 21 de Fevereiro do corrente ano foi declarado e confirmado um surto infeção por Herpesvirus (EHV-1) na região de Valença (ESP).

Por esse facto, a FEI (Federação Equestre Internacional) cancelou eventos internacionais em 10países no continente europeu com efeitos imediatos e até 28 de março de 2021 devido à rápida evolução de uma variante muito agressiva da forma neurológica do vírus equino (EHV1), e que já resultou em surtos relacionados em pelo menos três outros países da Europa que não Portugal.

Esta decisão, embora se aplique a todas as disciplinas da FEI, exclui alguns “tours” em curso onde se inclui a organização de Vilamoura Atlantic Tour 2021, com a intenção de continuar como “bolhas” territoriais sem que nenhum cavalo novo possa entrar nos locais e desde que nenhum caso positivo de EHV-1 seja confirmado. A FEI também lançou protocolos de biossegurança rigorosos em vigor e Delegados Veterinários da FEI adicionais no local.

Infelizmente esta medida é mais um revés na nossa actividade e que terá impactos Desportivos, Sociais e Económicos. Já tínhamos competições agendadas e a iniciar que terão de ser novamente calendarizadas.

Esta decisão, que abrange eventos não só em Portugal mas também em Espanha, França, Bélgica, Itália, Áustria, Polonia, Holanda, Alemanha e Eslováquia, foi feita de acordo com o Artigo 112.3 dos Regulamentos Gerais da FEI, que declara: O Secretário-Geral terá autoridade para remover qualquer Competição e/ou Evento do Calendário se circunstâncias justificadas relacionadas a uma Competição ou Evento forem estabelecidas.

Como nos foi transmitido foi uma decisão muito difícil de tomar, até por ser subsequente à grande interrupção provocada pela pandemia da Covid-19, mas os fatores de risco epidemiológicos identificados, assim o obrigaram.

Da parte da Federação Equestre Portuguesa e, em consonância com outras Federações Equestres Nacionais decidimos acatar a forte recomendação da FEI e cancelar todas as manifestações Equestres em Portugal de nossa responsabilidade.

Estamos conscientes de que é mais um momento muito angustiante, para os Clubes que têm a actividade desportiva reduzida e muito perturbadora para aos Atletas que trabalham diariamente para atingir os seus objectivos, bem como os seus Requisitos Mínimos de Elegibilidade (MERs), seja para os diferentes Campeonatos da Europa ou do Mundo, seja até para obterem resultados de confirmação para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

De nossa parte tentaremos junto das instâncias Nacionais Institucionais alertar para mais esta dificuldade acrescida para a nossa subsistência e junto da FEI tentando encontrar maneiras de auxiliar as combinações atleta / cavalo na obtenção de seus MERs ou resultados de confirmação, uma vez que os eventos na Europa continental sejam reiniciados, bem como na recalandarização de eventos equestre desportivos.

Manter-nos-emos alerta e em sintonia com todas as instâncias veterinárias acompanhando a evolução e informando a comunidade Equestre.

Com os eventos Desportivos Equestres cancelados, a FEP vem apelar à contenção na movimentação de cavalos bem como alertar imediatamente os Médico Veterinários assistentes sobre alguma situação que considerem suspeita.

A FEP informará imediatamente toda a comunidade Equestre de qualquer informação relevante ou alteração da situação actual, entretanto e sob aconselhamento Veterinário, deixamos a seguinte informação e conselhos:

Maneio de cavalos a regressar de áreas de alto risco de contágio com Herpes vírus equino 1 (EHV-1)

Está a ser dado o alerta a nível europeu devido ao risco elevado de desenvolvimento de doença associadas ao Herpes vírus equino (mais especificamente EHV-1), com origem em Valência (Espanha) e do qual já resultaram surtos em outros países Europeus e competições internacionais. Tendo em consideração este alerta, aconselhamos medidas de prevenção de modo a reduzir o risco de ocorrência de surtos em Portugal em estábulos particulares e eventos desportivos equestres.

A infeção por EHV-1 pode causar transtorno de várias formas:

1- Causando doença respiratória de forma esporádica, associada a febre levando à interrupção de treinos e preparação dos cavalos de desporto, com custos económicos associados;
2- Causando abortos durante o terceiro trimestre da gestação ou o nascimento de poldros bastante comprometidos, levando a perdas económicas avultadas;
3- Causando surtos de doença neurológica (mieloencefalite, em inglês “Equine Herpes Myeloencephalopathy, EHM”), levando ao sofrimento e morte dos cavalos afetados, bem como grandes restrições à movimentação e interrompendo planos reprodutivos, de treinos e de eventos desportivos e mostras de cavalos.

Após a infeção, e apesar da resolução dos sinais clínicos, é comum a infeção persistir de forma latente, podendo o vírus ser reativado e levar a novo episódio de doença e dispersão do vírus.

A infeção é passada pelo contacto direto de cavalo a cavalo, mas também através de fomites e do contacto com pessoas contaminadas.

A forma de infeção mais comum é através da inalação de gotículas de secreções do trato respiratório de cavalos doentes que são aerossolizadas (tosse ou espirros). Contudo a infeção também pode ocorrer após a ingestão ou inalação de gotículas de secreções presentes em objetos, superfícies ou pessoas.

Todos os cavalos com sinais clínicos de doença aguda ou com reativação viral são considerados contagiosos pela via respiratória. Contudo, cavalos adultos podem estar infetados e a dispersar vírus sem demonstrar sinais clínicos. Poldros abortados, membranas fetais e fluidos placentários contêm grandes quantidades de vírus, sendo particularmente perigosos enquanto transmissores da doença.

Cavalos mais velhos tendem a demonstrar menos sinais clínicos de doença respiratória devido ao desenvolvimento de imunidade, sendo mais comum observarem-se sinais de doença respiratória em animais mais jovens até aos 2 anos de idade. Os principais sinais clínicos da doença respiratória incluem corrimento nasal ou ocular seroso, febre, tosse, depressão e intolerância ao exercício. A doença respiratória é em na maior parte das vezes auto limitante.

Os casos clínicos de doença neurológica (EHM) apesar de serem mais raros, são geralmente mais graves, podendo levar à morte do cavalo. Normalmente não são observados outros sinais premonitórios como doença respiratória. O sinal clinico que pode ocorrer antes dos sinais neurológicos será o aparecimento de febre. Os sinais neurológicos podem variar entre ataxia e paresia até paralisia completa dos membros. Os membros posteriores são afetados mais frequentemente e de forma mais severa. Pode ser observada também disfunção urinária, levando a incapacidade de urinar, incontinência ou retenção de urina. Alguns cavalos podem demonstrar “head tilt” (cabeça inclinada).

O tratamento nos casos de doença neurológica é empírico, sendo frequente os casos mais graves continuarem a deteriorar até levar à morte do cavalo.

O isolamento e restrição de movimentos de casos confirmados ou suspeitos é fundamental para controlar surtos.

A) Todos os cavalos a regressar a Portugal vindos da Europa e especificamente de Espanha, ou que tenham estado em contacto próximo (mesmo estábulo ou transporte) com cavalos que tenham estado nestes países devem ser isolados de outros cavalos, e em particular de cavalos a participar em eventos desportivos em Portugal.

B) O isolamento destes cavalos implica os cavalos permanecerem em estábulos fisicamente separados de outros estábulos (20 metros ou mais sempre que possível).

C) Idealmente, os cavalos em isolamento devem ser tratados por pessoal dedicado exclusivamente a esses animais e que não tenha contacto com os restantes cavalos que não estejam em isolamento. Em alternativa, estes cavalos devem ser tratados apenas após todos os restantes cavalos terem sido tratados, não devendo o tratador retornar aos estábulos dos cavalos que não estão isolados antes de desinfeção e mudança de roupa.

D) De modo a minimizar o risco de disseminação de doenças entre cavalos nas mesmas instalações de isolamento, devem ser observadas tanto quanto possível as seguintes condições:

– Lavatório para lavar as mãos entre animais;
– Pedilúvios à porta de cada estábulo;
– Fato-macaco à porta de cada estábulo, para ser usado unicamente para cada cavalo;
– Arreios e equipamentos separados para cada cavalo, incluindo baldes, taças para ração, material para fazer camas;
– Local dedicado para lavar todo o equipamento utilizado nestes cavalos.

E) Os cavalos de estábulos ou em eventos onde estejam cavalos que tenham viajado pela Europa e mais especificamente por Espanha recentemente, para além destas medidas, devem ser observados e ter a temperatura medida duas vezes por dia. As temperaturas medidas devem ser registadas. Caso se registe febre (temperatura rectal >38,6C), deve contactar de imediato o seu veterinário habitual.

Os casos confirmados ou suspeitos devem ser de imediato isolados de outros cavalos até serem considerados livres de infeção ativa por parte do seu Médico Veterinário assistente.

Todos os casos suspeitos devem ser investigados de imediato e testados pelo seu Médico Veterinário.

A vacinação permite prevenir a doença respiratória causada por EHV-1 e EHV-4 e poderá ajudar à prevenção de abortos.

Neste momento, não existe uma vacina registada para o objetivo específico de prevenir doença neurológica causada pelo EHV-1, a vacinação reduz a disseminação de vírus a partir das vias respiratórias, mesmo que o cavalo fique infetado, reduzindo o risco de contaminação ambiental e de infeção de outros cavalos.

A vacinação é possível e recomendada e pode proteger a população de cavalos em geral, mas há alguns fatores de risco sob os quais se deve aconselhar com o seu Médico Veterinário.

Considerando que viagens longas, contacto e estabulação com vários cavalos de várias proveniências são fatores de risco para o desenvolvimento de doença neurológica causada por EHV e que apesar de tudo a vacina pode não prevenir a doença neurológica causada por EHV1, enquanto durar este surto a nível europeu, a FEP continuará atenta à situação epidemiológica em Portugal e emitirá mais recomendações quando se justificar.

Consulte o Comunicado da FEP AQUI

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