Arestins

Arestins

mud fever feet and legs

Dr. Henrique Moreira da Cruz

Arestins é o nome comum dado a uma doença da pele que afecta a porção distal do membro, mais tipicamente a parte detrás da quartela (Fig. 1). Trata-se de uma inflamação da pele (dermatite) causada por uma bactéria denominada Dermatophilus congolensis; a doença é também conhecida pelo termo Dermatofilose. A bactéria encontra-se presente com mais frequência em solos húmidos (lama).Os sinais clínicos são as lesões típicas de perca de pêlo e consequente formação de uma crosta, debaixo da qual se encontra um exudado purulento (Fig. 2). Associados às crostas encontram-se normalmente tufos de pêlo que se desprendem facilmente da pele (Fig. 3). Às vezes os cavalos sentem uma ligeira comichão. Dependendo do grau de inflamação estas lesões podem ser extremamente dolorosas quando palpadas, e em casos severos causam mesmo claudicação.

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A doença desenvolve-se em situações de humidade e temperaturas médias a elevadas. Para que a bactéria penetre na pele e produza infecção é necessário que haja uma quebra na barreira da pele, tal como uma abrasão ou fissura. Cavalos que vivem permanentemente em pastos húmidos com muita lama não são necessariamente afectados. Uma das situações predisponemtes mais frequentes é quando se lava com uma mangueira a lama dos membros deixando-se estes molhados para secarem naturalmente. Isto proporciona um ambiente de humidade óptimo para a bactéria se aproveitar e estabelecer infecção. A pele dos cavalos na parte de tras da quartela é muito fina e extremamente sensivel a abrasões causadas por particulas do solo. Esta é a razão pela qual os arestins afectam frequentemente aquela porcão do membro. A pele rosa (despigmentada) em casos de pelagem branca é particularmente sensivel ao desenvolvimento das lesões. De igual modo, em cavalos de pelagem longa, em particular na região do boleto e quartela, os arestins tendem a ocorrer com maior gravidade devido ao facto da pelagem repor a humidade na pele. A doença pode também ser transmitida de animal para animal ou através de equipamento ou utensílios de limpeza. Os arestins ocorrem com mais frequência em invernos bastante chuvosos e não muito frios, quando os paddocks se encontram com muita lama. No entanto, podem também afectar cavalos no verão, particularmente se os animais transpiram em excesso ou se os membros são molhados com frequência.

O tratamento é simptomático e a intensidade do tratamento depende da gravidade das lesões. O fundamental é manter a região afectada num ambiente sêco e limpo. Remover completamente os pêlos com uma lãmina manual ou máquina de tosquiar ajuda a obter este objectivo, e permite uma maior penetração dos medicamentos tópicos. De seguida, as lesões devem ser lavadas com uma solução antiséptica (ex Betadine ou Hibiscrub) de modo a amolecer a pele e remover todas as crostas e exudados. Após a lavagem é de vital importância que a pele seja seca de imediato com toalhas; se necessário utilize-se um secador de cabelo! Os membros devem depois ser mantidos limpos e secos. Durante o exercício do cavalo, os membros afectados devem ser ligados para proteger as lesões; mas enquanto estabulado é preferível deixar as lesões expostas ao ar seco e limpo. Depois de removidas as crostas e seca a pele pode-se aplicar sobre as lesões uma pomada contendo antibióticos, ou uma combinação de antibióticos com anti-inflamatórios. Em animais com pele despigmentada é importante proteger as lesões da luz solar. Em casos severos ou de doença crónica pode ser necessário o tratamento adicional por via oral ou injectável.

A nível preventivo devem-se praticar noções gerais de higiene e em casos susceptíveis pode-se proteger a pele da quartela com óleos neutros tais como parafina líquida ou uma solução comercial de óleo para bébé.

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