Quo vadis Hipismo Luso???

Quo vadis Hipismo Luso???

Um CPCO com 6 conjuntos e um CPCAM com 10 conjuntos, é, no mínimo, triste para o hipismo luso. No CPCO o número de entrados na primeira classificativa é de cerca de um terço dos números dos últimos quatro anos e no CPCAM de cerca de metade. Cremos não haver memória de tão pouca afluência. Não sendo, nem pretendendo ser este artigo um libelo acusatório, não podemos deixar de tentar procurar e evidenciar as razões para tal acontecer.

Ao longo da última dúzia de anos a gestão federativa centrou-se num único objectivo: o saneamento financeiro. Ora se é verdade que esse era um objectivo importante, não podemos deixar de constatar que não poderia e não deveria ser o único. A vertente “desenvolvimento desportivo” deveria ter merecido outro tratamento de quem liderou o hipismo português e na nossa opinião esse aspecto não mereceu a atenção que merecia ter tido. É caso para dizer, não morres do mal … morres da cura … e a verdade é que o hipismo está moribundo.

O investimento na formação (não só de base mas de nível mais adiantado ) foi manifestamente insuficiente e desestruturada, a aposta dos proprietários e entidades responsáveis em cavaleiros novos e com potencial foi praticamente inexistente, os eventos hípicos atingiram preços impraticáveis para a maioria dos praticantes sem que tenha sido pensado e posto em prática um modelo alternativo aliás já praticado nos países hipicamente desenvolvidos, os campeonatos  para além do título que conferem não têm qualquer outro apelativo. Com tais premissas isto tinha tudo para correr mal …

Os cavaleiros de créditos firmados andam noutras paragens de maior visibilidade e prestígio, outros estão apeados pelos motivos já expostos, os mais jovens profissionais, sem proprietários que neles apostem e uma federação que os apoie (até na formação), uns emigraram e outros tentam ganhar a vida por cá dedicando-se à formação de cavalos novos (alguns também na esperança de encontrar a montada de CPCO) alguns deles já com pódios na competição … Onde andam os Lucas, os Ladeiras, os Morgados, os Mascarenhas, os Peixotos, os Vasconcelos, os Gomes, os Godinhos, os Flemings, os Vasques, os Rodrigues, os Tavares, os Maios, os Drumonds, os Diniz das Neves, os Rochas, os Oliveira Gonçalves, os Ferreiras, os Romão, os Vianas, e outros mais que pelo nome não percam? Na sua maioria lá fora obtendo a formação e/ou as oportunidades que aqui lhes negam, lá onde lhes reconhecem o valor, o empenho e a qualidade, ou por cá lutando por objectivos que lhes permitam viver dignamente de e numa profissão pela qual são apaixonados.

Já a fraca afluência nos amadores é o resultado de um modelo de competição hípica em Portugal, caduca, e excessivamente cara.

Aos seis últimos abencerragens do CPCO e aos dez do CPCAM o nosso respeito e obrigado… a todos os ausentes a nossa vénia e respeito pela luta que travam …

Queríamos também falar de lobbies … fica para outra ocasião…

Ah … mas não queríamos deixar de mencionar a ratio participantes/oficiais … 6/11 … aqui deixamos que os leitores retirem as conclusões!!!

Antonio de la Plata

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