
O Puro Sangue abriu portas em novembro, no bairro da Graça, instalado na histórica Vila Sousa, um edifício de 1890. O espaço ocupa um antigo armazém ligado aos transportes públicos, onde em tempos se guardavam cavalos e carruagens, inspiração que se reflete na decoração marcada pelo universo equestre.
À frente do projeto está Dora Lourenço, de 43 anos, já bem conhecida no bairro pelos restaurantes Sant’avó e Altar, onde construiu uma identidade própria na restauração. O Puro Sangue surge como uma continuação natural desse percurso, mantendo o foco na cozinha portuguesa. “É a cozinha em que acredito, que sei fazer e que funciona”, afirma.
Aqui, as receitas não vêm apenas da tradição familiar, mas percorrem várias regiões do país, do Alentejo a Trás-os-Montes. A carta é intencionalmente curta — quatro pratos de peixe e quatro de carne — para garantir consistência e renovação. Entre os mais pedidos destacam-se a raia frita com escabeche, o gaspacho alentejano e o rancho à transmontana. Nas sobremesas, sobressaem a trilogia do Algarve, ideal para partilhar, e o pudim de pão acabado à mesa.
Há ainda muito para explorar num menu apresentado em forma de almanaque, à semelhança do Borda d’Água, que explica a origem de cada prato. Carapaus alimados, ovos com farinheira, polvo guisado à açoriana, massada de garoupa com camarão ou mão de vaca com grão são alguns exemplos, sempre servidos em porções generosas.
A abertura do restaurante está a ser feita por etapas. Para já, conta com cerca de 50 lugares, mas a capacidade total chegará aos 150–180. Dentro de dois meses abre a esplanada, com espaço para cerca de 100 pessoas, e mais tarde será revelada uma segunda sala, atualmente escondida atrás de um armário, pensada como surpresa para o futuro.