Restauro da estátua de D. José I (vídeo)

Restauro da estátua de D. José I (vídeo)

A Câmara de Lisboa e a World Monuments Fund estão a restaurar a estátua equestre D. José I, na Praça do Comércio, num investimento de 490.000 e que estimam estar concluído em Agosto do próximo ano.

Segundo o protocolo assinado entre as duas entidades e a secretaria de Estado da Cultura, a obra de restauro, que começou em Agosto e tem duração prevista de 12 meses, terá um custo de 490.000 euros, suportado pela World Monuments Fund (WMF) em 370.000 euros, pela autarquia em 80.000 e pela cadeira de supermercados Continente (da SONAE) em 40.000 euros.

O coordenador do projecto de restauro, a cargo da World Monuments Found (WMF), José Ibérico Nogueira, explicou na tarde de hoje aos jornalistas depois de uma visita às obras, que o «problema base» da estátua «é o seu aspecto visual», danificado pela “poluição atmosférica” de Lisboa.

De Agosto, quando a obra teve início, até hoje, foi feito já um levantamento e diagnóstico pormenorizado de «onde e como se pode trabalhar» e a equipa de restauro começou esta semana a limpeza da pedra.

«As colunas periféricas já foram limpas, estamos a fazer testes nelas, antes de intervir lá dentro», adiantou José Ibérico Nogueira.

Esta é a terceira vez que a estátua equestre D. José I é alvo de uma obra de recuperação, desde a sua construção em 1779: a primeira, em 1926, foi «limpeza supérfula» e na última, em 1983, «foram retirados 3.000 litros de água dentro do cavalo», que estavam a danificar a estrutura, contou o coordenador do restauro.

«Estamos numa intervenção muito mais profunda. É a primeira vez que a estátua é envolta totalmente por andaimes e podemos chegar a todos os pontos que vão ser intervencionados», afirmou, acrescentando que foi, para já, possível encontrar uma coroa de louros subdimensionada perante o tamanho da cabeça da estátua de D. José I, “talvez numa tentativa de minimizar” o rei por parte do autor da peça, Joaquim Machado de Castro.

Nas fases seguintes, que têm duração prevista até Agosto de 2013, vai ser feita uma «limpeza profunda, a estabilização e protecção da liga» e será atribuída à estátua equestre «uma cor uniforme, mais escura do que está actualmente» e será feito um tratamento da pedra.

Com uma «manutenção preventiva», ou seja, com «pequenas intervenções sem custos significativos», assegura José Ibérico Nogueira, será possível preservar e manter a estátua de D. José I no Terreiro do Paço conservada «durante 20, 30, 40 anos».

No final da visita às obras, que permitiu a subida até ao topo da estátua, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, destacou o «pormenor da riqueza decorativa da estátua», considerando aquele um «momento único» para que a peça possa «recuperar todo o seu brilho inicial».

A ESTÁTUA

Nascida dos desenhos iniciais de Eugénio dos Santos, será concretizada por Machado de Castro, após muitas e sucessivas alterações com a ideia de representar um rei à antiga romana, de acordo com os princípios da cultura clássica. O rei nunca posou para Machado de Castro e as mãos do monarca são, na realidade, as mãos do escultor.

O ESCULTOR

Joaquim Machado de Castro (1731-1822) foi um dos mais importantes artistas portugueses do século XVIII. Escultor na prestigiada Escola de Mafra, entre 1756 e 1770, a encomenda da estátua equestre trouxe-o a Lisboa, tinha então 40 anos. Escreveu um minucioso livro sobre o trabalho, a Descripção Analytica da Execução da Real Estátua Equestre do Senhor Fidelissimo D. José I, publicado em 1810.

A VIAGEM

A estátua levou quatro dias a percorrer a distância que separava o Arsenal do Exército da Praça do Comércio. Foi preciso abrir uma rua e por imposição real, a zorra, carro de transporte da estátua desenhado por Bartolomeu da Costa, foi puxada por cerca de mil homens, pois a figura real não poderia ser deslocada por bestas.

A FESTA

A estátua foi inaugurada a 6 de junho de 1775, data do aniversário do rei. Com a Praça ainda inacabada, construíram-se uma série de elementos, em madeira, com carácter efémero, para a criação de um cenário que representasse os elementos arquitectónicos em falta como as fachadas e o arco triunfal. As festividades duraram três dias e tiveram grande adesão popular. Pombal descerrou a estátua enquanto a família real assistia incógnita numa das salas da nova Alfândega.

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