Paulo Caetano no CEIA

Paulo Caetano no CEIA

O cavaleiro tauromáquico, ganadeiro e criador de cavalos de raça Lusitana, Paulo Caetano, esteve no CEIA a acompanhar alguns alunos que se apresentaram ao concurso de Dressage e concedeu-nos uma entrevista, onde falou sobre o CEIA mas também do mundo equestre em geral e da tauromaquia.

Qual a sua opinião sobre o CEIA?

Estou muito bem impressionado. Estamos perante uma infra-estrutura do melhor que tenho visto por todos os locais por onde tenho passado, não só em Portugal mas mesmo pelo estrangeiro. Acho que está muito bem idealizado e muito funcional com todas as suas valências colocadas de forma a estarem interligadas o que é uma grande vantagem para quem vem participar em provas.

A localização é perfeita, numa zona central, perto de Lisboa e de outros centros ligados aos cavalos.

Acha que a situação periférica de Portugal perante o resto da Europa pode ser um factor de resistência a que as modalidades equestres atinjam a relevância do centro da Europa?

A situação periférica não é boa, isso é verdade, mas que com um trabalho bem feito e com a qualidade que existe, as coisas acabarão por acontecer. Um concurso internacional bem divulgado que traga os melhores cavaleiros de dressage, certamente será uma porta que se abrirá a que eles regressem e que olhem para o espaço como um ponto de passagem obrigatório.

Como é que o Paulo Caetano vê os desportos equestres em Portugal?

Eu acho que estão a evoluir muito. Sobretudo na área do dressage, à qual estou mais ligado e me dedico mais, uma vez que a minha filha Maria é uma das habituais participantes. Desde há alguns anos que as coisas estão a ganhar outra dimensão e a colocar o nome de Portugal onde já esteve e onde deve andar, pois é minha opinião que a equitação nasce da arte do toureio e esta é de base portuguesa. Faustino da Gama, José Tanganho, Vitorino Fróis e Conchita Citrón, todos eles grandes figuras mundiais à época, são claramente percursores daquilo que hoje é a arte equestre. Curiosamente também todos ligados a esta região onde agora se encontra o CEIA.

Acha que esta estrutura pode ser uma mais-valia para o crescimento das modalidades equestres em Portugal?

Claro que sim, as condições que proporciona são de excelência e isso é aquilo que é necessário para evoluir.

O Paulo é cavaleiro profissional há cerca de 33 anos e disse, aquando dos seus 30 anos de alternativa, que o que o fazia continuar era a busca da faena perfeita.

Agora toureia muito menos porque já a encontrou?

Não. Acredito que ela pode existir mas não consigo olhar para trás e dizer que foi esta ou aquela. Tenho alguns amigos que me falam de uma num sítio ou outra noutro mas eu quando as revejo na minha memória encontro sempre algo que poderia correr melhor.

Agora estou afastado por opção, apenas faço duas ou três aparições por época mas já sem essa mesma intenção. Dedico-me agora mais a acompanhar os meus filhos, a Maria na dressage e o João que seguiu o toureio tal como eu.

E o Paulo Caetano é um toureiro ou um cavaleiro?

Uma pergunta difícil, tal como a do ovo e da galinha… Mas creio que sou cavaleiro porque sou toureiro. Como já disse aqui, a equitação artística surge do toureio e eu, um pouco pela mesma razão, vejo-me cavaleiro por razão da arte de tourear

E como vê esta nova geração de toureiros?

Vejo com bons olhos, acho que há qualidade, que há gente com muita capacidade para dar continuidade à tradição. É, no entanto, preciso perceber a diferença entre a expressividade e espectacularidade na arte do toureio. Muitas vezes ser-se espectacular não é um sinónimo de fazer as coisas bem-feitas. Neste momento o público não é tão exigente a esse nível, mas não há dúvida que as palmas que se ouvem e se sentem lá dentro são diferentes quando é espectacular ou quando é, realmente bem feito.

Acha que os comentadores, também eles um pouco pela necessidade das audiências e de terem que dizer que aquela corrida está a ser de alta-qualidade, quando isso pode não ser exactamente assim, têm alguma responsabilidade nesta forma de ver o toureio actual?

Sim, muitas vezes há comentadores que demonstram não ser grandes conhecedores e isso nota-se para quem percebe.

À semelhança do que se passa no futebol não acha que poderia haver comentadores que tivessem sido antigos profissionais?

Acho que sim. Algumas vezes pensa-se nisso como uma situação desagradável pois estaríamos a falar de colegas nossos, mas isso visto na perspectiva da crítica construtiva, de quem já pisou aqueles terrenos, seria uma situação vantajosa e boa para o público.

Já alguma vez teve algum convite para ser comentador?

Não. Por acaso é algo que até já me passou pela cabeça mas que, até à data, não aconteceu.

E como vê o panorama das corridas hoje em dia, a Festa de Toiros?

Por vezes quando ouço queixas de falta de público e que os meus amigos me dizem – Lembras-te das corridas em que tinha que ir a polícia a abrir caminho tal era a quantidade de gente que ia às praças? – Eu penso que, nessa altura, investia-se na promoção! Havia corridas que começavam a ser divulgadas com um ou dois meses de antecedência nos jornais diários nacionais, nas rádios e na televisão. Os cartéis eram compostos pelas primeiras figuras do toureio nacional e havia a competição (no bom sentido), situação que hoje não acontece. Muitas corridas têm um nome mais sonante e depois, figuras de segundo plano que geram menos interesse por parte do público. Claro que a situação financeira não é a mais favorável mas é preciso saber contornar esse factor.

Os movimentos de activistas ati-tourada afastam público, ou pelo contrário, aproximam?

Eu acho que, por um lado, por efeito ricochete, até acabam por aproximar, pois há muitas pessoas que gostam de ir só para contrariar. No entanto é preciso não negligenciar estes movimentos, porque muitos deles encerram alguns interesses que vão muito para além daquilo que é o fazer mal ao animal. Claro que entendo que há muita gente que sente isso e é contra. Há que respeitar. Mas por outro lado há os que estão ali, muito porque há grandes interesses por trás. Falo nomeadamente de “pet food”, veterinários, entre outros, para quem a publicidade indirecta de ser amigo do animal é muito importante.

Para terminar, o que irá dizer aos seus amigos sobre o CEIA?

O melhor! Perante tamanho investimento, feito com a qualidade que aqui se encontra só posso dizer que venham conhecer pois está aqui um centro de nível mundial, deixando mesmo de fora um ou outro detalhe menos bom que acredito será corrigido e que não tem expressão e gostaria de deixar os parabéns ao promotor pela coragem e pela qualidade com que fez este espaço.

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