Manuel Espregueira Mendes ficou em 30.º lugar no Mongol Derby

Manuel Espregueira Mendes ficou em 30.º lugar no Mongol Derby

Foto: Facebook/Manuel Espregueira Mendes

O cavaleiro Manuel Espregueira Mendes ficou em 30.º lugar no Mongol Derby, prova de resistência equestre de 1.000 quilómetros tida como  uma das mais exigentes do planeta , em competição que “valeu mais pela aventura”.

“Foi pena não ter podido representar melhor o país em termos competitivos, mas, quando percebi que tinha ficado para trás, decidi aproveitar o evento da melhor forma possível, bem com as experiências”, disse.

Em declarações à agência Lusa, o cavaleiro de 29 anos contou que o repto de nove dias – 12 dos 44 participantes à partida não chegaram ao fim – foi “um desafio enorme”, ainda assim “diferente do que estava à espera”.

“Fui para competir, mas várias coisas foram acontecendo ao longo do caminho que me impediram de estar tão bem como queria. O melhor esteve ligado mais à aventura e não à corrida propriamente dita”, esclareceu.

Uma “tempestade de granizo brutal” logo no primeiro dia separou o grupo e quem, como Manuel Espregueira Mendes, foi condicionado pela mesma, “com cavalos atolados”, perdeu as aspirações aos lugares de destaque da classificação geral.

“Cavalgar com trovoadas épicas com raios a caírem ao nosso lado, cavalos a serem sugados em pântanos, fugir de cães selvagens ou acordar a ser farejado por um lobo”, são algumas das experiências do português, que se sentiu “exposto” e percebeu que o “botão de ajuda era um recurso que poderia demorar várias horas até ser concretizado”.

Ao todo montou 31 equídeos, dois deles em treino antes do início da aventura: “Apanhei os melhores e os piores da minha vida. Trocávamos a cada 35 quilómetros. Alguns com enorme coração a galopar o tempo inteiro, outros em sofrimento horrível que não passavam do trote e tínhamos de os incentivar”.

Escapou às diarreias que temia e não teve quaisquer problemas de saúde – “sentia-me muito bem preparado” -, mantendo sempre “moral elevado, ao contrário de diversos parceiros de desafio, que se vieram abaixo e queixavam-se de tudo, desde os cavalos à organização”.

Em Portugal, não conseguiu mais do que duas corridas de 40 quilómetros, além de muito ginásio.

“Até ao início da prova, a maior lição que tive foi sobre gestão de motivação. Como manter-me motivado quando às vezes não apetecia treinar. No fim, destaco as vantagens de sair da zona de conforto. De tudo o que esperamos. Tudo o que achava que seria difícil, não foi. E o que dava como garantido ou fácil, foi mais complicado do que esperava”, exemplificou.

Aos temerários, o cavaleiro recorda que “o desconhecido não é necessariamente negativo” e que o imprevisto “traz muitas coisas” à vida de cada um.

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