«Godless»: Quatro Motivos para ver a Série da Netflix (TRAILER)

«Godless»: Quatro Motivos para ver a Série da Netflix (TRAILER)

Esta mini-série americana, “Sem Deus” produzida por Scott Frank, remete para os clássicos do faroeste em sete episódios, num total de sete horas e meia. A narrativa, ambientada na década de 80 do século XIX, acompanha o implacável fora-da-lei Frank Griffin (Jeff Daniels), que aterroriza o Novo México à procura de Roy Goode (Jack O’Connell), um antigo membro do seu bando que encontrou uma nova vida em La Belle, uma cidade que, depois de um desastre numa mina, é habitada praticamente só por mulheres – homens são só dois ou três velhos, o xerife cada vez mais míope e desacreditado e o seu assistente.

Welcome To No Man’s Land, pode ler-se no cartaz promocional da mini-série de sete episódios que já está a gerar burburinho para os Emmys e Globos de Ouro.

A história, que se passa em 1884, em La Belle, uma cidade povoada quase exclusivamente por mulheres, está a ser publicitada como um show feminista e revolucionário. No entanto, a designação está a ser posta em causa depois de, no primeiro episódio, o diálogo ter sido dominado pelo sexo masculino.

Veja, abaixo, quatro motivos para não perder a série de vista.

Michelle Dockery
Lembra-se de Lady Mary? A personagem de Downton Abbey em nada se assemelha a esta Alice Fletcher, interpretada por Michelle Dockery que, nas primeiras cenas, está irreconhecível, graças à cara coberta de terra e ao irrepreensível sotaque norte-americano. Fletcher vive com o seu filho e sogra num rancho, isolados da cidade. A atriz dá vida a esta mulher empoderada cuja resiliência e confiança prometem assegurar um futuro à sua família – isso e a arma que carrega consigo, tal qual uma extensão do braço. Cada vez que vemos Michelle preencher o ecrã só nos faz antever: e o Globo de Ouro vai para…

O guarda-roupa
Lenços ao pescoço, chapéus de felpo, vestidos e saias longas, camisas com padrões, sem decotes nem detalhes além dos botões até ao pescoço ou os padrões em tons terra, e muitos cintos (regra geral, em camurça) a demarcar a cintura das mulheres do faroeste. A responsável por tudo isto é Betsy Heimann, figurinista de Pulp Fiction, Reservoir Dogs ou Almost Famous (quem consegue esquecer o sentido de estilo irrepreensível de Kate Hudson enquanto a memorável Penny Lane?).

Mary Agnes
A personagem a que dá vida Merritt Wever é talvez a mais abertamente assumida na luta incessante contra o patriarcado. Os indícios estão logo no princípio, quando assistimos à sua escolha deliberada em largar os vestidos para envergar as calças. Mas a força feminista desta personagem vai além da indumentária. Mary, contra todas as convenções da época, dorme com uma ex-prostituta. A sua militância contra o machismo e condescendência está provada também no momento em que recusa a proposta de povoar a cidade de La Belle com homens e dinheiro. Para Mary Agnes, a liberdade fala mais alto.

A reinvenção do formato western
O motivo maior para entrar em modo maratona é mesmo a possibilidade de olhar para este formato, o do western, – muitas vezes encarado como obsoleto – com uma nova roupagem. O Velho Oeste não está, afinal, tão inerente à capacidade de mudança e a prova disso é mesmo a capacidade de um cenário como este, com tantos elementos associados desde sempre ao que é masculino (os saloons, os rodeos e o próprio género cinematográfico), surgir, agora, reinventado. Numa época em que tanto se fala de feminismo e, num passado mais recente, de abusos sexuais em Hollywood, associados ao abuso de poder de grandes homens da indústria, é, pelo menos, digno de nota o timming de estreia de Godless, “Sem Deus”.

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