A evolução…

A evolução…

Estava numa exposição de cavalos, assistindo ao julgamento morfológico. Cavalos realmente muito bons, muitos semelhantes e de qualidade elevada. No fim das provas, já de tarde, conversando com criadores, o comentário era de que o cavalo vencedor realmente era o melhor morfologicamente em termos de padrão, mas havia um outro, que se tinha classificado em terceiro lugar, que tinha os melhores andamentos para desporto, para o trabalho, etc. e que isto deveria ser considerado pelos juízes na hora da classificação.

Conversando com um juiz, ficou clara a sua preocupação com o facto de que o padrão racial prevaleceu perante a qualidade de andamentos, movimentação, etc. Ao mesmo tempo, como julgar morfologia sem se recordar a função de um cavalo? Tudo isto é assunto para horas e horas de argumentação, discussão e debate.

Pergunto: Os padrões raciais mudam em detrimento da função ou a função é fruto de um padrão racial? Os cavalos tradicionalmente de trabalho que se adaptam ao desporto conseguem manter o padrão racial de sempre? Ou com o passar do tempo vão se tornando o que podemos chamar de “desportivos”, mas esguios e com andamentos desportivos? O que deve determinar ou prevalecer em termos de julgamento – a função, a morfologia, a soma dos dois? Tudo isto realmente não é tarefa fácil, pois se pensarmos que uma linha de julgamento pode afectar toda uma raça, e que um produto leva no mínimo 5 anos para ser julgado como cavalo adulto, e este cavalo ou égua adulto pode ser um pilar de uma raça, estamos a falar em quase 15 anos! Ao mesmo tempo, sabemos que tudo isto é fruto da evolução de uma raça. Evolução que deve ser analisada com muito cuidado, pois pode se tornar perigoso, prejudicial e com um revés muito difícil ao longo do tempo, portanto uma regressão…

É função de qualquer associação de raça analisar os seus cavalos e verificar as mudanças dos tempos e dos animais. Conselhos técnicos e corpo de juízes devem sempre discutir o que se julgar, como se julgar, o que premiar e principalmente qual o rumo da raça como tal. Que não venham directrizes com desejos absurdos em termos de padrões raciais, mas as mudanças são quase que inevitáveis. Evolução não significa somente progresso, mas também mudanças estudadas e calculadas. Em termos de cavalos, mudanças não bruscas, mas indicadores de melhoramento na função, na morfologia, dos produtos e nas coudelarias podem trazer a evolução. Toda mudança drástica traz resultados bruscos. Toda mudança bem pensada, discutida com entendedores da raça, pessoas sensatas e idóneas trazem a evolução.

Boa semana!