Vimeiro – A Futura Capital Equestre de Portugal

Vimeiro – A Futura Capital Equestre de Portugal

Claudia Santos Cruz
(Consultora Jurídica – Equisport Online)

Passados quatro anos, voltámos ao CSI2* do Vimeiro ( 21/-24/07) e ao Hotel Golf Mar. A experiência não podia ter sido melhor e a conversa com o Engº António Macedo, não podia ter sido mais elucidativa. A evolução das condições para cavalos, cavaleiros e público é notória e demonstra o empenho e a seriedade com que o projecto está a ser conduzido.Parabéns pois ao Engº António Macedo e a quem com ele colabora.Algumas notas técnicas foram tiradas pelo nosso consultor técnico, Dr. Carlos Rosa Santos, médico veterinário, que serão complementadas com outra avaliação a efectuar posteriormente.

EQ: Reportando-nos à última entrevista de há quatro anos, gostávamos de saber o que mudou neste período, qual foi a evolução que os concursos do Vimeiro tiveram e quais as perspectivas futuras?
AM: Consolidar as ideias que tínhamos já na altura e que apontavam para determinados objectivos que com o decorrer dos 4 anos nos deram força para que hoje o actual accionista veja no hipismo mais um negócio de turismo no Vimeiro. Isto definitivamente faz com que os quadros do empreendimento considerem o hipismo como um negócio e será dimensionado para dar resposta à procura. Foram feitos vários estudos de segmentação do mercado tanto a nível nacional como internacional e hoje estamos dotados de uma base de dados de informação relativamente ao meio equestre e à forma como o turismo ligado à parte equestre funciona que determinaram os objectivos do novo projecto do Vimeiro, que deve estar pronto dentro de dois anos. Haverá já algum benefício a curto prazo, o que pode tornar o Vimeiro na capital equestre de Portugal em termos de competições, não só a nível de saltos mas também noutras disciplinas, nomeadamente a dressage. Actualmente temos apenas uma única pista de areia, mas teremos que criar um conjunto de facilidades de bom nível, portanto pistas “all weather” de grande qualidade destinadas aos eventos de Dressage. Pensamos que dentro de dois anos já teremos condições para receber concursos desta modalidade.Neste momento em relação aos espaços, temos um compromisso entre o golfe e o hipismo e já avaliámos o golfe sem o hipismo, mas ainda não avaliámos o hipismo sem o golfe. Neste momento o accionista também pediu um estudo de mercado para avaliarmos estes compromissos, o que deve ficar concluído dentro de dois meses. Provavelmente este estudo irá demonstrar que com todo o historial e o impacto que o hipismo tem gerado na empresa e nomeadamente no sector hoteleiro, vai equacionar se vale a pena ter um centro hípico já bastante evoluído mas inserido no meio do golfe ou ter uma oferta de hipismo de grande dimensão ou ainda abandonarmos o compromisso se de facto os estudos revelarem que as duas vertentes não se devem conjugar.

EQ: Qual a hipótese de tornar o hipismo mais constante (todo o ano) no Vimeiro?
AM: O que nós temos que equacionar é a rentabilidade. Nós para termos aqui um campo de golfe que seja rentável temos que apostar num campo de golfe por excelência, pois o campo mais próximo é em Óbidos. De igual modo equacionamos o hipismo, apesar de fazermos só 5 concursos por ano, ver se podemos começar em Março e terminar em Outubro inseri-los no mercado turístico o que origina a vinda de muitas pessoas, famílias e staff de apoio, o que tem um peso muito importante na hotelaria. Repare-se no caso  destes dois concursos internacionais, (CSI3* e CSI2* em Julho), tivemos os dois fins-de-semana esgotados no mês de Julho que é um mês que tradicionalmente na hotelaria é fraquíssimo. Quando nós avaliamos isto e temos o retorno que temos, é evidente que se deve começar a pensar em alargarmos as opções e incluirmos concursos para cavalos novos, concursos para a juventude e reforçarmos o nosso objectivo turístico.As inscrições na melhor das hipóteses vão cobrir 50% dos custos e os patrocinadores os restantes 50%. Quando nós temos que negociar com os patrocinadores estamos a negociar com responsáveis das empresas que têm as suas influências várias, ligações ao mundo do hipismo, ou porque têm filhos que participam ou porque os accionistas que também têm interesse. Daí a necessidade que nós sentimos de ter algumas provas para os amadores e juventude para incluirmos participantes que não saltam acima do 1,30m e que gostam de participar. Para já esse critério não será abandonado. Com as pistas que temos actualmente, é possível introduzir provas para cavalos novos dividindo as provas entre a pista de relva e a pista de areia.

EQ: Prevê-se a iluminação da pista do concurso?
AM: Não, o Vimeiro não tem essa necessidade, os meses de Julho e Agosto aqui, são meses frescos e portanto não está considerada essa hipótese. O que há realmente projectado são mais duas pistas de areia que já estão orçamentadas e aumentar o alojamento para 410 cavalos, hoje temos capacidade para 250 cavalos, e assim ter a decorrer oito provas ao mesmo tempo.

EQ: Qual a possibilidade de se fazerem estágios entre os meses de Outubro a Março de cada ano, na pista de areia, com saídas para o exterior durante 1 semana, culminando com 1 ou 2 percursos na relva?
AM: Temos interesse mas só será viável se tivermos uma segunda pista de relva e essa hipótese está a ser considerada no novo projecto mas ainda um pouco condicionada nesta fase. Como estamos inseridos numa reserva ecológica tudo o que aqui se faça está sempre muito condicionado. Não podemos ir além do que é possível.

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