Vacinação contra a Gripe Equina

Vacinação contra a Gripe Equina

Texto: Dr. Henrique Cruz.

Na sequência do surto de gripe equina que tem afetado alguns cavalos na Europa, em particular no Reino Unido, torna-se cada vez mais importante aumentar os cuidados de bio vigilância e vacinar os cavalos contra esta doença altamente contagiosa.

O Animal Health Trust (AHT) é uma instituição veterinária no Reino Unido que estuda e providencia uma series de serviços médico-veterinários; nomeadamente o diagnóstico e controlo de doenças infectocontagiosas.

O laboratório do AHT confirmou recentemente mais 2 surtos de gripe equina na região de Suffolk, no Reino Unido. Um dos surtos afetou 6 cavalos que não estavam vacinados contra a gripe, contudo o outro surto atinge particular importância por implicar 2 animais da raça Puro Sangue Inglês, ambos com 8 anos de idade e que tinham sido vacinados contra a gripe.

O AHT lançou um aviso para que proprietários e tratadores estejam atentos aos sinais clínicos de gripe, incluindo tosse, corrimento nasal, letargia e febre. Os sinais clínicos podem, no entanto, ser discretos e nem todos os cavalos com gripe apresentam todos os sintomas simultaneamente. Em caso de duvida, deve pedir ao seu médico-veterinário para examinar o seu cavalo. Presentemente, no Reino Unido, o AHT está a processar gratuitamente análises laboratoriais para confirmar o diagnóstico da gripe equina. Se o veterinário tiver suspeitas de infeção com gripe, deve colher uma zaragatoa da nasofaringe e uma amostra de sangue e enviar para o AHT.

A gripe equina é uma doença respiratória altamente contagiosa causada pelo vírus da influenza equina. O vírus espalha-se através das gotículas respiratórias quando o cavalo tosse ou espirra ou por contato direto, ou indireto, quando por exemplo um objeto que esteve em contacto com as secreções de um cavalo infetado é depois utilizado noutro animal suscetível.

Para sobreviver, o vírus depende desta transmissão de cavalo para cavalo. Uma das caraterísticas mais notáveis da gripe equina é a disseminação rápida dos sinais clínicos num grupo de cavalos e a capacidade do vírus de espalhar por longas distancias através o ar.

As medidas de bio-segurança são essenciais para controlar a disseminação da doença. De particular importância destacam-se as boas normas de higiene nas cavalariças e o isolamento dos cavalos confirmados ou suspeitos de infeção com gripe. Recomenda-se também, perante um surto de gripe revacinar todos os cavalos que não tenham sido vacinados nos últimos 6 meses, de modo a maximizar a proteção imunitária. A confirmação laboratorial da presença da doença é essencial para tomar de imediato as decisões mais apropriadas, incluindo o isolamento e cessar o movimento e transporte dos animais. Além disso, os animais afetados devem ser submetidos a repouso de modo a evitar complicações secundárias.

A gripe equina não tem um tratamento especifico. O uso de medicamentos retrovirais frequentemente utilizado para a gripe humana não é eficaz nos equinos. Deste modo, o tratamento da gripe nos equinos consiste em repouso e boas normas de maneio.  O vírus danifica os tecidos do sistema respiratório (traqueia e pulmão) sendo que demora cerca de 30 dias para o organismo regenerar os tecidos danificados, depois do sistema imunitário ter eliminado o vírus. A duração do repouso depende principalmente da duração e intensidade dos sintomas, mas a maior parte dos veterinários recomendará provavelmente um período mínimo de 4 semanas. O tratamento com antibióticos poderá estar indicado no caso de se desenvolverem outras infeções bacterianas secundárias. Os cavalos devem ser alojados em estábulos bem ventilados e sem exposição ao pó.

A vacinação contra a gripe equina é eficaz para prevenir a infeção e/ou reduzir a intensidade dos sinais clínicos; contudo apenas devem ser vacinados animais saudáveis, como prevenção.

Apesar dos fabricantes das vacinas comercializadas em Portugal recomendarem revacinação anual após a primovacinação, a Federação Equestre Internacional obriga a que os cavalos que participam em competições tenham sido vacinados nos últimos 6 meses, além de terem de ter cumprido a primovacinação. A primovacinação consiste numa ativação inicial do sistema imunitário para depois o organismo conseguir manter a capacidade de produzir anticorpos contra o vírus por períodos mais prolongados. Recomenda-se uma segunda vacina 21 a 92 dias após a primeira e depois uma terceira vacina 6 meses após a segunda. Só depois desta primovacinação é que se pode considerar que as vacinações anuais serão eficientes para providenciar imunidade contra a gripe equina.

O vírus da gripe encontra-se em constante mutação, sendo que apesar dos animais vacinados apresentarem maior resistência à contração da doença, não estão livres de ser infetados. Nota-se, porém, que os cavalos vacinados, quando infetados, apresentam sintomas de menor intensidade.