Os tempos mudaram…

Os tempos mudaram…

Por Bento Castelhano
Vila Nova de S. Bento,
19/ABR/2011.

É verdade! Os tempos mudaram!

A era da “raça” definida, como um conjunto de animais que possuem característcas morfológicas identificativas e estabilizadas, de geração para geração, está ultrapassada!Não há muitas décadas que na zootecnia, foi introduzido neste conceito o aspecto “produtivo” em substituição das carateristicas morfológicas. Passou então a admitir-se como “raça” um conjunto de animais cujos parâmetros produtivos serão identificados e dentro de certos limiares. Estas produtividades têm também de estar estabilizadas de uma geração para a seguinte. Nestas raças, modernas, a variabilidade do aspecto exterior (“padrão da raça”), é quase irrelevante, uma vez que isso só muito dificilmente se converte em “produtividade”.

Os cavalos não são excepção a esta regra!Nas raças de desporto do Norte e Centro da Europa (“warmbloods”) temos assistido nos últimos anos a uma evolução estonteante das “performances” dos animais produzidos, assim como da facilidade da sua utilização (“montabilidade”). As associações de criadores, graças a um trabalho cientificamente assistido, conseguiram estes resultados baseando os seus trabalhos em conceitos muito simples:

• Fomentar o desporto equestre, junto das Federações Equestres nacionais, como forma de fomentar o consumo;

• De acordo com as modalidades e as exigências de mercado, traçar os objectivos de criação e os métodos de selecção de reprodutores;

• Mesmo partindo de uma base de animais muito heterogénea, com a aplicação sistemática da selecção, conseguiram chegar sempre a resultados notáveis.

Portugal, para variar, está desfasado!A “modalidade” que fez a Raça Lusitana foi o Toureio, mas este consome poucos animais por ano a preços nada compensadores, especialmente para quem os cria. Por outro lado, a mentalidade das pessoas no Mundo, evoluiu para formas onde o Toureio tem e terá cada vez menos cabimento. Mesmo que isso, pessoalmente, me custe a aceitar…Há uma “escola” que defende… terem os cavalos Lusitanos um padrão racial definido e que, se os seleccionarmos para isso, teremos animais de sela com aptidão múltipla e, ainda segundo a mesma, fabulosos e inigualáveis! Mesmo que isso contrarie as mais básicas regras da Genética e do Melhoramento Animal!Em Portugal, a nossa capacidade para meter a cabeça no buraco e ignorar o mundo circundante é realmente fantástica!

Está na hora de “arregaçarmos as mangas” e valorizarmos desportiva e internacionalmente as utilizações dos Lusitanos mais tradicionais, como a Equitação de Trabalho, assim como melhorar geneticamente os de maior aptidão desportiva nas disciplinas FEI em que os Lusitanos possam brilhar.

Deveremos criar várias linhas dentro da Raça, adoptando um sistema de fomento e selecção, adaptado à nossa realidade de Stud-Book fechado, mas baseado no que se fez para as raças de desporto centro-europeias na Certificação e Credibilização.

A criação de cavalos, neste caso Lusitanos, tem de passar por um processo de renovação idêntico ao dos restantes produtos agro-pecuários: os criadores terão de se preocupar em primeiro lugar com a comercialização e, em função desta, estruturar a selecção e só depois: produzir.

Mais, dada a reduzida dimensão do País e a preocupante situação económico-financeira a que chegámos, para a Raça Lusitana ter alguma importância no panorama internacional, teremos de aprender a colaborar com a capacidade de produção destes animais no estrangeiro, desde que as diferentes Associações de Criadores de Lusitano no Mundo colaborem.