«My Way» de sabor Ibérico

«My Way» de sabor Ibérico

No panorama da Dressage Internacional, os mais recentes resultados dos nossos Lusitanos, além de muito prestigiantes, constituem uma luz de alento e esperança ao fundo do túnel da perseverança de quem afincadamente se dedica à criação de cavalos Lusitanos.

Texto: Rodrigo Almeida

Afinal a arte, plasticidade, e expressividade associada a cavalos e cavaleiros Ibéricos, chegam ao público de forma fácil e entusiástica. O reconhecimento internacional deste “my way” de sabor Ibérico encarregou-se de os colocar no top 15, conforme aconteceu nos últimos Jogos Olímpicos, a Juan Manuel Muñoz com o seu Fuego, e a Gonçalo Carvalho no seu Rubi AR. É com indiscutível mérito que se tornaram ícones internacionais da ligeireza, flexibilidade, e expressividade associadas às características peculiares do cavalo Ibérico!

No mesmo trilho encontra-se Maria Caetano com o Lusitano Xiripiti CVF, que alcançou excelentes resultados no início deste ano em Madrid e no Circuito do Sol, constando na 97ª posição do ranking mundial de Dressage da FEI. É o único conjunto português entre os 100 melhores do mundo, e o melhor garanhão Lusitano do Stud Book, considerado no ranking da World Breeding Federation for Sport Horses (WBFSH), em 6 de Maio de 2013. Há que reconhecer que demos um passo de gigante, e por conseguinte uma pedrada Ibérica no charco da monotonia recorrentemente associada à disciplina da Dressage.
Maria Moura Caetano / Xiripiti : Foto © Rui Godinho 2013

Hoje em dia a pergunta surgiu com naturalidade na prestigiada revista Horse & Hound: “Does it have to be a warmblood?”. A opinião do Juiz internacional FEI, Stephen Clarke, é peremptória, esclarecendo que “tenho visto cavalos Ibéricos muito competitivos” (…) “eles têm qualidades natas para trabalho de reunião, e são muito populares no piafé, passage e piruetas” (…) “da forma como são actualmente seleccionados, eles tem desenvolvido mais liberdade de movimentos e comprimento de passada”, terminando uma conjectura que revela uma mente aberta por parte de quem julga: “ (…) no que respeita a um juiz, não nos preocupamos com a raça, desde que o cavalo preencha o critério do exercício”. A corroborar esta tendência, Karin Retera, juíza da raça KWPN, cavaleira, colunista em revistas de equitação na Holanda, e uma das maiores especialistas em Dressage ao nível mundial, vai apostar na orientação da carreira do Lusitano Don Soberano MT, encontrando-se este já na Holanda, junto da elite da equitação mundial. Don Soberano MT

Já Kyra Kyrklund, que montou o Lusitano Rico GUB ao nível de Grande Prémio, refere relativamente aos cavalos Ibéricos: “Eu gosto da sua sensibilidade e energia”, “Eles são voluntariosos no trabalho e tem facilidade de reunião”, acrescentando “que se tiverem três bons andamentos base, capacidade de reunião e de extensão, não percebo porque não”. Na Alemanha, os resultados dos Lusitanos Sal FBA e Rubi AR, e na Áustria o PRE Grandioso, que ganhou o G.P. e Freestyle do CDI3*, exprimem bem o feeling Ibérico no mundo da Dressage.

A FEI acaba de renovar o seu site, e mais uma vez, os cavaleiros e cavalos Ibéricos constituem a imagem de marca: Gostaria de terminar, transmitindo a todos aqueles que tem excelentes garanhões Lusitanos ou PRE em casa, que há que meter “a carne no assador”, e provar na função essa excelência, ou em alternativa, para aqueles criadores que tem disponibilidade monetária para isso, que invistam em sémen de cavalos Ibéricos testados na função, independentemente de qual for. Só assim a raça Lusitana e PRE poderão progredir à velocidade da luz. Afinal há que acreditar ainda mais, agregar os esforços funcionais de todos os que os criam, os montam, e os representam através das diferentes Associações, esquecendo divisões, maledicências endémicas corrosivas, e nacionalismos seculares exacerbados, tão tipicamente Ibéricos. Há que puxar por estes cavalos em uníssono, pois aos cavalos e cavaleiros Ibéricos… o mundo diz SIM!

Foto: Kyra Kyrklund / Rico GUB 2013.06.06

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