A onipresença do tipo Lusitano

A onipresença do tipo Lusitano

Por Rodrigo Coelho de Almeida

Quem olha para um Lusitano deve reconhecer imediatamente que está perante um Lusitano! Este é um ponto fundamental na uniformização e crédito de uma raça que orienta a sua seleção pelo padrão da raça. Há que reconhecer que o Lusitano tem uma mística e um “sex apeal” especiais que cativam cada vez mais adeptos, e que não se podem jamais perder.

Estamos num ponto do caminho em que todos os criadores de cavalos Lusitanos deveriam assumir uma preocupação permanente com o tipo dos seus animais, e não exclusivamente com a parte atlética. A preocupação não deve roçar a tónica do fundamentalismo, mas deve ser equilibrada, e estar permanentemente presente no objetivo final de qualquer projeto genético de uma coudelaria de Lusitanos. Dentro da raça, entende-se a utilização de tipos divergentes, na adição de alguns pormenores em falta, mas não se entende um afastamento consecutivo, na busca de animais Lusitanos muito colados à imagem dos warmbloods. Onde ficam os fatores de diferenciação que caraterizam o Lusitano? É um verdadeiro tiro no pé, tentar produzir Lusitanos de tipo warmblood, pois entra-se em concorrência num mercado onde a fina flor das raças do centro e norte da Europa não deixa qualquer espaço de manobra para cópias.

As seguintes palavras, proferidas pelo Eng.º Fernando Sommer D’Andrade em final de vida, devem encontrar-se omnipresentes na atividade de criação de cavalos Lusitanos: “Eu caí no erro de procurar grande demais, se bem soube guardar a capacidade galopadora, pois sempre supus que a guerra a cavalo, o duelo, se faz a galope e nunca a trote. O trote é típico do cavalo de tiro, não do de sela, e o cavalo peninsular foi e é o mais antigo cavalo de sela conhecido. Do mal que eu possa ter feito à raça e induzi os colegas a seguir, me penitencio e arrependo. Não esqueçam que a modificação da base de selecção pode fazer desviar e perder a raça que o passado nos legou e nós temos a obrigação de preservar e legar aos nossos descendentes”. Eng.º Fernando Sommer D’Andrade – in Equus, Outubro de 1988.