79º CSIO – Lisboa

Texto: Dr. Carlos Rosa Santos

Visto pela vertente organizacional este CSIO 99 de Lisboa foi sem dúvida um êxito. O nome desse êxito, em nossa opinião é o de Manuel Bandeira de Melo. Pela primeira vez foi criado o cargo de Director de Concurso e Bandeira de Melo esteve à altura das responsabilidades em si investidas.

Discreto, atento e de uma cortesia extrema resolveu as situações mais delicadas com o bom senso que o caracteriza. O seu trabalho não teria sucesso sem a colaboração dos restantes elementos da C.O. a quem estendemos os nossos parabéns. E porque se trata de elementar justiça não queremos deixar de salientar o excelente trabalho do Engº Armando Antunes a quem se deve a excelente decoração da pista do Hipódromo e o do Tenente Coronel Lopes Mateus e à sua equipe de Comissários, que primando pela discrição estiveram sempre presentes e atentos. Pena é, como já referimos em edição anterior de Equisport que a experiência desta equipe de comissários não seja aproveitada durante o resto do ano, em concursos nacionais.

Quanto ao aspecto desportivo não podemos deixar de começar por nos referirmos à actuação da Comissão Técnica de Saltos de Obstáculos da Federação Equestre Portuguesa. Quando os critérios de selecção são pouco criteriosos ou mesmo inexistentes, quando apelos são feitos a fim de que a verdade desportiva seja reposta e são ignorados, quando se excluem cavaleiros com o nível de Manuel Malta da Costa, (indiscutivé) em qualquer representação individual nacional e actualmente classificado como cavaleiro de nível “C” em Portugal!!), de Johnny Mendes (que tem no seu palmarés uma vitória na Taça do Mundo FEI ) com três cavalos ao seu dispor e com possibilidades de classificação, de António Portela Carneiro (vencedor do GP do CSN-B de Cascais na semana anterior ao CSIO e 3º classificado no GP do CSN-A da Companhia das Lezírias, duas semanas antes) e do Dr. João Azevedo e Silva (vencedor de várias provas grandes recentes e do GP do CSN-A da Companhia das Lezírias), este último repescado por intervenção directa do Presidente da FEP, Prof. Pedro Lynce de Faria, algo não está bem.Para esclarecimento dos factos, no mínimo pouco claros, seria curial e tornaria o assunto mais transparente a abertura de um inquérito à Comissão Técnica, mesmo por uma Direcção demissionária.Por terem sido convidados a participar recusamo-nos a fazer comentários à actuação menos conseguida de alguns cavaleiros portugueses, os quais se esforçaram e fizeram o melhor que puderam, apesar das limitações evidentes.

Nas duas provas que contam, em qualquer CSIO, o GP e a Taça das Nações referimo-nos ao primeiro como um percurso de bom nível, do irlandês Brian Henry, e no qual houve 11 conjuntos sem faltas entre os quais se contaram Miguel Bravo/Heritage Charlton (6º lugar) com 75,92 segs. e Miguel Faria Leal/Surcouf de Revel (9º lugar) com 78.81 segundos. 13 conjuntos pontuaram com 4 pontos onde se incluiu o conjunto João Mota/Uxmal Rouge classificando-se assim em 13º lugar. Uma participação nacional positiva neste G.P. que legitimava o acalentar de alguma esperança sobre a passagem á 2ª mão da equipe portuguesa na Taça das Nações, o que não se veio a verificar.Brian Henry optou por um percurso muito técnico na Taça das Nações com dificuldade acrescida no tempo muito curto concedido no percurso da 1ª mão… 28 conjuntos fizeram excesso de tempo o que é pouco usual em percursos deste tipo.

A equipe francesa, vencedora em Lisboa ao contrário da sua actuação desastrosa em Modena no mesmo fim de semana não conseguiu que nenhum dos seus membros efectuasse um percurso sem pontuar, em qualquer das duas mãos. Apesar disso, terminaria a competição 3,25 pontos à frente dos 2ºs. classificados, a Holanda. Dos 57 conjuntos que participaram na 1ª mão somente dois, a holandesa Angelique Hoorn e Gunther Orschel da Bulgária terminaram sem qualquer penalização.Michel Robert comentou no final da prova que achou o “percurso duro mas acessível, com um tempo muito curto, resultando em que muitos cavaleiros tenham tentado dar voltas mais curtas e tenham imprimido uma maior velocidade ás suas montadas do que resultaram erros desnecessários”.

Julgamos que estas declarações se ajustam também a Miguel Bravo e Miguel Faria Leal, que mesmo assim não se livraram do excesso de tempo.


A Bélgica que terminou em terceiro lugar foi penalizada nas duas mãos com nada menos que 6 pontos por excesso de tempo sem que nenhum dos seus cavaleiros tenha conseguido efectuar um percurso sem exceder o tempo concedido. A Itália, que terminou a 1ª mão na 1ª posição, não a conseguiu manter depois de Roberto Arialdi e Gianluca Gorla terem pontuado na casa dos 20 na 2ª mão o que fez com que Guido Dominici não tivesse participado pois em nada iria beneficiar a equipe.

E assim aconteceu neste 79º CSIO Lisboa 99, não nos deixando dúvidas que “a crise da direcção desportiva, com honrosas excepções, que afecta várias modalidades desportivas é também uma realidade no Hipismo” (Editorial, Equisport nº41).Para terminar, não podemos de deixar de salientar pela negativa o título da reportagem efectuada por um jornalista internacional e distribuída para todo o mundo:CSIO – Lisboa 99 – “Home nation bring up the rear”.

Para pensar – mais uma vez…

Categorias: Artigos, Saltos