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  21 de Maio de 2012      português       english  

Tumores da pele - Melanomas

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Dr. Carlos Rosa Santos

Os melanomas ou "esponjas" como são vulgarmente conhecidos em Portugal são tumores que afectam certas células da pele chamadas melanócitos os quais produzem a melanina, responsável pela pigmentação da pele. Esta é a razão porque os melanomas têm usualmente uma cor escura. Quando são claros, fala-se de melanomas acrómicos. Segundo diversos autores, representam cerca de 15% dos tumores cutâneos do cavalo. Os cavalos ruços de raça Lusitana, em Portugal e os da Camarga, em França são particularmente afectados pelo problema. O Percheron, o Árabe e o Puro Sangue Inglês parecem também ter uma predisposição racial a que não será indiferente a abundância de exemplares com pelagens claras nestas raças. Calcula-se que a partir dos 10 a 12 anos de idade 80% dos cavalos de pelagem ruça venham a ser afectados por um ou vários melanomas.



Tumores da pele - Melanomas

São tumores geralmente benignos mas conservam sempre uma malignidade imprevisível. Considera-se hoje que os melanomas dos cavalos de pelagens escuras têm uma maior malignidade do que os que surgem nos de pelagens claras.

As zonas do corpo do cavalo mais atingidas são a face interna da cauda, o períneo, o aparelho genital externo, as glândulas parótidas, os membros, o pescoço, as orelhas, as pálpebras e mais raramente certos órgãos internos. A maior parte destes tumores são benignos inicialmente, mas sem que se saiba porquê, adquirem um grau considerável de malignidade ao longo dos anos.

A sua origem é de igual modo obscura. Nos cavalos ruços a sua aparição parecer ser favorecida por alterações do metabolismo da melanina. É porém interessante verificar que nestes animais o aparecimento de um melanoma é muitas vezes precedido pelo aparecimento de uma área de vitiligo (descoloração da pele).

Os melanomas causam enormes dores de cabeça aos patologistas que ainda debatem entre si sobre qual a classificação que se lhes deve atribuir. Algumas vezes tumores marcadamente malignos à observação microscópica não produzem metástases "in vivo" o que dificulta o prognóstico.

Não existe nenhum tratamento miraculoso para este problema. Face a um pequeno ou pequenos tumores recomenda-se a expectativa e a não intervenção. Face a tumor de grande massa recomenda-se a exérese cirúrgica mais abrangente possível, porém, as recidivas são muito frequentes.

Em tempos advogou-se a injecção de BCG no próprio tumor, prática esta, hoje abandonada. Depois começou a injectar-se nas lesões um agente anticanceroso chamado Cisplatina, que em certos casos provocava um atraso na evolução da lesão. Nos últimos anos tem-se utilizado a Cimetidina, um principio activo que é utilizado em medicina humana no tratamento das úlceras gástricas. A Cimetidina é um antagonista de certos receptores celulares da histamina, um dos mediadores químicos das reacções alérgicas. Esta acção inibidora da histamina sobre os linfócitos T supressores tem uma acção preponderante na cancerogénese dos melanomas, reduzindo-os consideravelmente. Diversos protocolos, sugeridos por investigadores demonstraram que a administração de Cimetidina, no cavalo, durante um período de cerca de 3 meses pode fazer com que o volume dos melanomas diminua entre 50 a 90%.

No entanto, deve-se avaliar a eficácia deste medicamento caso a caso pois parece ser mais efectivo nos tumores de crescimento mais rápido. Nos E.U.A têm-se produzido vacinas(técnica já efectuada pontualmente em Portugal) a partir do próprio tumor, com resultados variáveis.

Em conclusão podemos dizer que este é um problema para a qual as novas tecnologias ainda não encontraram uma resposta segura e eficaz.



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