
Fig. 3: Ténias aderidas à parede do intestino delgado de um cavalo.
O outro grupo de parasitas são as Ténias (Fig. 3). Infestações ligeiras deste tipo de parasitas parecem ser inócuas para o cavalo, no entanto infestações com elevados números estão fortemente associadas a episódios de cólicas recorrentes. Existem vários tipos de desparasitantes no mercado, e com a forte concorrência que se verifica hoje em dia entre as várias companhias produtoras, novos produtos continuam a ser introduzidos. No entanto, não existe um único produto capaz de eliminar todos os tipos diferentes de parasitas com capacidade de infestar o cavalo. Por isso para um programa de desparasitação ser completo torna-se necessário associar desparasitantes diferentes. Em termos de composição química, podemos considerar quatro classes de desparasitantes: 1. Ivermectina (ie: EQVALAN® comercializado em Portugal pela Merial; No Reino Unido, existem alem desta as seguintes preparações de Ivermectina: FUREXEL®, VECTIN® e NOROMECTIN®). São talvez os desparasitantes usados com maior frequência hoje em dia; têm uma acção bastante eficaz contra todos os tipos de Nemátodos, com a excepção dos estádios larvares imaturos de Ciatostomas. É importante notar que as Ivermectinas não têm qualquer acção contra as Ténias. 2. Moxidectina (Introduzida no mercado no Reino Unido em 1998 por Fort Dodge) com o nome de EQUEST®, comercializado em Portugal pela Farmaquil. Trata-se de uma versão "melhorada" da ivermectina, altamente eficiente contra todos os tipos de Nemátodos incluindo os estádios larvares imaturos de Ciatostomas. No entanto também não tem qualquer acção contra as Ténias. 3. Benzimidazole Estes desparasitantes actuam apenas contra algumas espécies de Nemátodos; mas têm caído em desuso devido ao desenvolvimento de resistências durante a última década. Uma excepção significante é o Fenbendazol (PANACUR EQUINE GUARD® comercializado pela Intervet), que quando usado em doses elevadas por períodos prolongados, tem uma acção altamente eficaz contra os estádios larvares imaturos de Ciatostomas. Tal como as anteriores, estes produtos não têm qualquer acção contra as Ténias. 4. Pirimidinas Nesta classe inclui-se o Pirantel (comercializado pela Pfizer com o nome de STRONGID EQUINOS®). Estes desparasitantes têm alguma acção contra Nemátodos adultos, mas não actuam sobre quaisquer estádios larvares. Além disso tem havido problemas de resistências de Nemátodos a estes compostos. O valor destes produtos reside principalmente na sua acção única e eficaz contra as Ténias, principalmente quando administrados numa dose dupla da recomendada para o uso contra os Nemátodos. No ano passado a companhia Fort Dodge pôs no mercado do Reino Unido um novo desparasitante chamado EQUITAPE® que contem Praziquantel como produto activo. O Praziquantel tem sido, desde há muitos anos o desparasitante usado contra as Ténias do cão, do gato e dos humanos; e estudos recentes demonstraram a sua eficácia também sobre as Ténias do cavalo. Note-se no entanto que Praziquantel não tem qualquer efeito sobre Nemátodos. Posto isto, sob um ponto de vista prático, tendo em consideração a composição química, resistência e modo de acção, podemos considerar os vários tipos de desparasitantes em relação a sua acção contra: 1. Nemátodos em geral Com eficácia contra os Nemátodos em geral deve usar-se Ivermectina (EQVALAN® ou Moxidectina (EQUEST®). 2. Estádios larvares imaturos de Ciatostomas Para eliminar os estádios larvares imaturos de Ciatostomas deve utilizar-se Fenbendazol (PANACUR EQUINE GUARD®) em doses elevadas por períodos prolongados ou Moxidectina (EQUEST®). 3. Ténias Contra as Ténias deve usar-se Praziquantel ou uma dose dupla de Pirantel (STRONGID CAVALOS®). Não deve existir um programa padrão de desparasitação. Pelo contrário, cada programa deve ser individualmente estabelecido para cada pátio, quadra, quinta ou coudelaria, tendo em conta o maneio, tipo de estabulação, número de cavalos, movimento de animais, densidade de população, história prévia de infestação parasitária, entre muitos outros factores. É aconselhável discutir este assunto com o seu Médico Veterinário, pois um programa de desparasitação inadequado não só pode ser ineficaz, mas pior, pode conduzir ao desenvolvimento de estirpes de parasitas resistentes aos desparasitantes, com problemas sérios para o futuro.
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