
Além disso, hoje em dia sabe-se que existe uma forte componente imunológica sobre a infestação parasitária sendo que, em média, 80% da carga parasitária encontra-se concentrada em 20% dos indivíduos de uma manada. Isto significa que, estatisticamente, numa pastagem com 10 cavalos, apenas 2 deles contêm um número significativo de parasitas. Apenas esses 2 indivíduos deverão ser tratados. Se desparasitarmos os 10 cavalos indiscriminadamente, em 8 deles o desparasitante não irá ter efeito na redução do nível de parasitas. Esta prática, além do desperdiço e despesa, tem a agravante de promover o desenvolvimento de resistências. O ideal seria identificar quais os cavalos que estão infestados e tratar apenas esses 2 indivíduos. Este diagnóstico pode ser feito através de uma análise laboratorial às fezes dos animais (contagem de ovos de parasitas nas fezes). Sugerimos que fale com o seu médico veterinário para efectuar este teste antes de desparasitar indiscriminadamente os seus cavalos. O princípio é exactamente o mesmo para os cavalos estabulados. Num pátio com 10 cavalos, apenas 1 ou 2 provavelmente estarão com parasitas. NÃO HÁ NECESSIDADE DE OS DESPARASITAR A TODOS! No que diz respeito à desparasitação, dum ponto de vista prático podem-se considerar dois grupos principais de parasitas: os Nemátodos (ou vermes redondos) e as Ténias (Quadro 1). Existem vários tipos de desparasitantes no mercado, e com a forte concorrência que se verifica hoje em dia entre as várias companhias produtoras, novos produtos continuam a ser introduzidos. No entanto, não existe um único produto capaz de eliminar todos os tipos diferentes de parasitas com capacidade de infestar o cavalo. Por isso para um programa de desparasitação ser completo pode ser necessário associar desparasitantes diferentes (Quadro 2). Não deve existir um programa padrão de desparasitação. A prática corrente de desparasitar todos os animais cada 3 meses (ou 4 ou 6 meses), conforme se recomendava no final do século XX, é hoje em dia considerada inadequada. Pelo contrário, cada programa deve ser individualmente estabelecido para cada pátio, quadra, quinta ou coudelaria, tendo em conta o maneio, tipo de estabulação, número de cavalos, movimento de animais, densidade de população, história prévia de infestação parasitária, entre muitos outros factores. É aconselhável discutir este assunto com o seu Médico Veterinário, pois um programa de desparasitação inadequado não só pode ser ineficiente, mas pior, pode conduzir ao desenvolvimento de estirpes de parasitas resistentes aos desparasitantes, com problemas sérios para o futuro. O tratamento com desparasitantes deve ser apenas uma pequena parte dum programa de desparasitação eficiente. Um bom método para reduzir o risco de infestação parasitária é usar pastagens mistas com cavalos e ruminantes (ovelhas, vacas ou veados) (Fig. 1). Os parasitas das ovelhas não afectam os cavalos e vice-versa. Por outro lado as ovelhas ao pastar vão remover da erva as espécies larvares infectantes para os cavalos. Do mesmo modo, apanhar as fezes dos cavalos manualmente e removê-las da pastagem todos os dias, irá reduzir consideravelmente o grau de infestação parasitária do pasto. Alternativamente os campos devem ser lavrados e divididos em paddocks usando um sistema de rotação entre as pastagens de modo a dar tempo a que os estádios larvares sejam eliminados naturalmente. Em conclusão, desparasitar os cavalos todos com frequência, utilizando ou não rotação entre as marcas de desparasitantes, tal como se indicava há 30 anos atrás, é considerado hoje em dia uma prática antiga e contra-indicada. É necessário estabelecer um programa de desparasitação racional, conservador e mais ecológico para garantir a sua eficiência ao longo do tempo e prevenir o desenvolvimento de resistências. Este objectivo é alcançado através da identificação dos animais afectados e utilização de desparasitantes eficazes contra essas infestações.
|