JAMAICA a ladear a trote

É que é perfeitamente desesperante assistir a coisas como a que me aconteceu um dia destes. Fui à roulotte do CANTINHO DO CAVALO, que está em quase todos os concursos do centro e sul do país, para comprar um freio. Devo dizer que me vi um bocado aflito na escolha, porque a variedade era muita mas a qualidade (equestre, não do material) era muito pouco apelativa. E de conversa com o dono do CANTINHO ele perguntou-me como era que o freio “actuava” pois gostaria de aprender para poder responder a clientes que lhe pediam “um freio que fosse bom para o meu cavalo”. É impressionante como os cavaleiros ainda têm a noção de que o ensino do cavalo se faz “com os ferros que se lhe metem na boca”. Não contesto que isso ajuda. Mas que não resolve, não tenhamos dúvidas. E é impressionante ver a variedade de ferros que lá se encontram. E se lá se encontram é porque os compram, é claro.
Mas, apesar disso, ainda um dia destes assisti a um concurso, no qual uma das distribuições de prémios da prova grande demorou um bocado, de modo que os cavaleiros classificados se foram entretendo a "mexer" os seus cavalos. Pois fiquei impressionado com um dos nossos melhores cavaleiros a fazer galope curto. Um galope muito “curtinho” mas com o cavalo completamente aberto, pois não "abria o compasso". O posterior de dentro não “entrava”, e, claro, o galope tinha forçosamente que ser a 4 tempos. Como é que se pode fazer uma prova “grande” com um cavalo que não se “fecha”? O Brig. Callado é que tinha razão quando uma vez me dizia: “Eu até tinha medo!” Pois o que eu vejo hoje em dia é que se ensinam os jovens apenas a conduzir os seus cavalos, mas não a ensiná-los. Isto é, verifica-se que os clubes hípicos são “escolas de pilotos” mas não “escolas de equitadores”. E o que me assusta nos livros de equitação de hoje, é que não encontro referências à “retenção”” como substituto das antigas “rédeas de oposição”. Mas que os autores têm essa “retenção” sempre presente no seu espírito, disso não tenho dúvidas. Acabei agora de ler um livro sobre “ensino” que nunca fala de “retenções”, mas, a certa altura, o autor lá se descai, dizendo, no capítulo intitulado “As atribuições das pernas”. «A pressão das duas pernas, no seu lugar natural (na vertical do assento), deve produzir instantaneamente um aumento da velocidade (põe para diante). A pressão das duas pernas atrás da sua posição natural, deve produzir um ganho de actividade. Isto é, em função das outras ajudas, realizar-se-á sem aceleração do andamento, ou mesmo até com abrandamento. Estas são intervenções que, aproximando-se da cintura abdominal do cavalo, solicitam, logicamente, a entrada activa dos posteriores para debaixo da massa. Entramos aqui no domínio da concentração.»
Por aqui se vê como um autor que, durante todo o livro não se referiu a “retenções”, chega a um ponto em que nada faz sentido se elas não existirem. Lá que as retenções são difíceis e perigosas para quem não tem um certo “tacto equestre”, é verdade. Mas daí até se querer construir o “edifício equestre” sem elas, vai uma grande distância. Valha-nos Deus!
Junto algumas fotografias, já antigas, de cavalos do meu filho a trabalhar, não porque pense que estão muito boas, mas simplesmente para mostrar o trabalho clássico que lhes fazemos. Que, de resto, não se destinam a preparar os cavalos para provas de ensino mas, apenas, para pôr os cavalos sobre a mão e a conseguir as “quantidades” de sujeição e equilíbrio necessárias para que possam ser conduzidos nas provas de obstáculos. Repare-se como, no trabalho a galope a perna de dentro de todos os animais entra francamente, para poder sustentar a frente. É que, para aumentar o equilíbrio do galope, o que é preciso é encurtar a distância entre as batidas dos membros que integram a diagonal associada e não a distância entre as batidas dos posteriores ou as dos anteriores. Só assim o cavalo "dá o dorso. As últimas fotos do SKIPPY estão francamente desfocadas, Mas resolvi mantê-las porque, a primeira está com um galope muito correcto pouco comum em cavalos com este grau de ensino. O compasso está muito aberto e a distância entre os apoios dos posterior direito e do anterior esquerdo é muito curta como deve ser para que o cavalo dê o dorso. A segunda porque apresenta um cruzamento interessante. Resolvi apresentar estas fotos porque gosto de documentar aquilo que defendo e as críticas que faço, com documentos que mostrem que não me limito a "embarcar" nas teorias dos outros ou em deduções teóricas.
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