“Sem Cascos não há Cavalo”: Ferração

“Sem Cascos não há Cavalo”: Ferração

Foto: © Paula da Silva

Texto: Dr. Henrique Cruz

Não há dúvida, que o sucesso em qualquer disciplina equestre depende em grande parte do estado de saúde dos cascos. Dito de outra forma, um cavalo com cascos pouco saudáveis irá ter um handicap na sua carreira desportiva. Se gosta de apostar no seu tempo livre, este código betclic bonus da aposta é para si.

O cuidado dos cascos é essencial para manter o cavalo no topo de forma. Isto é particularmente importante nos cavalos de competição. O casco do cavalo é um órgão único, composto por um grupo de estruturas biológicas que seguem regras biomecânicas. Uma das particularidades do casco dos equídeos é a capacidade de adaptação ao meio ambiente, incluindo a capacidade de crescer e deformar consoante estímulos externos.

São exemplo de estímulos externos as características do solo ou superfície em que o animal trabalha, as condições ambientais, o tipo de ferraduras utilizadas, o aprumo do casco e a intervenção do ferrador. Deste modo, um bom ferrador pode fazer toda a diferença em manter um cavalo são e prevenir a ocorrência de claudicações.

Ilustração adaptada de um livro escrito em inglês onde se anotam todas as estruturas do casco, incluindo os ossos e tecidos moles. O círculo vermelho destaca a articulação do casco – articulação interfalangeana distal.

Neste artigo, vamos abordar 3 aspectos importantes que o ferrador deve ter em conta para manter o cavalo bem ferrado:

1. O corte ou aprumo: Tipicamente a intervenção do ferrador começa pela avaliação da conformação de cada casco individualmente. O casco é observado de frente, de lado e por trás para avaliar a altura e simetria dos talões. De seguida o cavalo é observado em andamento numa superfície firme e lisa de modo a determinar o apoio do casco no chão. Observações comuns incluem se o cavalo apoia primeiro a parte lateral ou medial do casco (lado de fora ou de dentro, respectivamente), se apoia primeiro a pinça ou os talões, ou se tem um apoio homogéneo e simétrico.

De seguida o aprumo individual de cada casco deve ter em consideração a conformação geral do cavalo, em particular dos membros:
– É importante que o aprumo do casco mantenha o alinhamento da quartela.
– A parte mais larga do casco deve coincidir com o centro de rotação.
– A parte palmar da sola deve estar nivelada com a ranilha de modo a maximizar o apoio e permitir ao cavalo usar estas estruturas vitais do casco.

Estes três parâmetros estão interrelacionados. Se não vejamos, se a superfície dorsal da quartela estiver alinhada com a parede do casco (quando o membro é observado de lado) então as três falanges (P1, P2 e P3) também estarão alinhadas. Consequentemente as forças causadas pelo peso do cavalo serão suportadas pelas respectivas articulações duma forma homogénea. Ou seja a força está distribuída por igual em toda a superfície articular, evitando a ocorrência de zonas de maior pressão e potencialmente maior desgaste. O mesmo se verifica na superfície de apoio (palma ou sola) do casco.


Legenda da Foto – Esquerda: Linha amarela intermitente revela o alinhamento das falanges. Linha vermelha revela o alinhamento do eixo casco-quartela. Direita: A linha preta é a parte mais larga da sola e a linha amarela intermitente mostra os talões cortados até à base da ranilha.

2. Centro de Rotação: O centro de rotação está localizado uns milímetros atrás da parte mais larga do casco e permite ao ferrador ajustar a biomecânica individualmente a cada casco.
O casco deve ser cortado em proporções iguais em ambos os lados da parte mais larga para maximizar a eficiência biomecânica.

3. Os Talões: A secção palmar do casco deve ser cortada até à base da ranilha de modo a que os talões da parede do casco se encontrem ao mesmo nível que a ranilha.

Este princípio é essencial para que os tecidos moles do casco (ranilha, almofadas plantares e cartilagens angulares) desempenhem eficazmente a sua função de absorção da concussão e dissipação do impacto.

O crescimento dos talões é um factor bastante importante. Se permitirmos que os talões cresçam para diante, as estruturas internas do casco vão-se posicionar para trás, relativamente, e para fora do casco. Além disso, se os talões migrarem para diante o peso será transferido dos tecidos moles para o osso e lamelas do casco. A superfície de apoio no solo também será diminuída quando os talões migram para diante. É óbvio que esta deformação no aprumo do casco impede que o casco desempenhe a sua função, predispondo o animal para a ocorrência de claudicação.

Legenda – Esquerda: Casco onde os talões migraram para diante e o círculo vermelho mostra os tecidos moles do casco deslocados para fora do casco. Direita: O mesmo casco depois de cortar os talões e aplicar uma ferradura maior.

Estes três aspectos da ferração podem ser aplicados a qualquer casco e servem como base para manter o casco saudável e também como ponto de partida na abordagem a um casco com conformação defeituosa ou com deformação da parede do casco.

Legenda –  Esquerda: Este casco mostra a aplicação dos três princípios. Note as proporções em cada um dos lados da parte mais larga do casco (linha preta). Direita: Note o comprimento e abertura da ferradura criando uma plataforma de apoio na palma do casco.

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