O Uso Responsável de Antibióticos

O Uso Responsável de Antibióticos

 

A FVE (Federação dos Veterinários da Europa) editou uma série de recomendações sobre o uso responsável de antibióticos dada a importância que esta questão tem na saúde pública, não só para evitar resíduos de substâncias medicamentosas nos alimentos de origem animal mas também para evitar situações de resistência aos antibióticos.

Texto: Dr. Henrique Cruz

A resistência aos antibióticos nos animais, tal como nos humanos, tem-se tornado um grande desafio no dia-a-dia de quem lida com estes problemas. A resistência aos antibióticos acontece quando uma determinada estirpe de bactérias tem capacidade de “resistir” e sobreviver após ter sido exposta a um antibiótico específico que normalmente seria esperado ter morto as bactérias ou inibir o seu crescimento. Os antibióticos nem sempre são a solução Os antibióticos são utilizados nos animais pela mesma razão que nas pessoas: São vitais para tratar e controlar doenças infecciosas de origem bacteriana.

Proteger a saúde dos animais ajuda a proteger a saúde humana. No entanto, o risco do organismo causador da doença desenvolver resistência aos antibióticos aumenta sempre que estes medicamentos são utilizados.  De modo a garantir que os poucos antibióticos existentes presentemente no mercado mantenham a sua eficácia, agora e no futuro, é necessário que eles sejam utilizados com caução, sempre sob orientação médica e com receita. Nem todas as doenças infeciosas requerem tratamento com antibiótico, como por exemplo o caso das infeções víricas.

A prevenção é melhor que o tratamento. Uma das melhores medidas para prevenir o uso de antibióticos é garantir que os animais se mantêm saudáveis através de boas práticas de maneio e higiene, incluindo ventilação, instalações e nutrição adequadas. Sempre que exista uma vacina para determinada doença o seu uso deve ser considerado. Deve evitar-se misturar animais com diferentes estados de saúde. Quando isto não for possível, devem ser tomadas medidas adicionais para evitar o contato entre os animais saudáveis e os doentes. O stress é um fator que pode causar doença pelo que deve ser evitado. É um erro substituir por antibióticos as boas práticas de maneio e higiene.

O uso de testes de diagnóstico pode ser necessário. Para o veterinário saber se realmente é necessário tratamento com antibiótico, e em caso afirmativo qual o antibiótico mais indicado, pode ser necessário realizar um teste de laboratório designado antibiograma ou teste de sensibilidade aos antibióticos.

O resultado deste teste permite ao veterinário selecionar um antibiótico com eficácia comprovada contra a estirpe bacteriana em questão. Por vezes um antibiótico antigo pode ser tão eficaz como os antibióticos mais modernos.  Os antibióticos modernos e os “criticamente importantes” devem ser estritamente controlados.

Os criadores e os veterinários devem trabalhar em conjunto para prevenir o desenvolvimento de resistências aos antibióticos classificados como “criticamente importantes” e também aos antibióticos modernos ou de última geração. Estes antibióticos só devem ser utilizados em situações de último recurso e sempre baseados nos resultados dos testes de sensibilidade. O uso de um antibiótico “off label”, ou seja que não esteja indicado para a doença em questão ou para a espécie animal em questão, deve ser evitado sempre que possível e somente sob indicação de um médico veterinário os proprietários ou tratadores não devem medicar os seus animais.

Não utilize antibióticos para doenças que não aquelas para que foram receitados e nunca depois de ter passado o prazo de validade. Os medicamentos podem estar contraindicados, deteriorados ou contaminados. Apenas o médico veterinário está habilitado para receitar um antibiótico após ter feito um exame clinico e ter chegado a um diagnóstico. Não tente nunca obter antibióticos fora dos trémitos legais.

Siga a dosagem e instruções. Certifique-se de que os animais recebem até ao fim toda a dosagem recomendada pelo médico veterinário mesmo que entretanto tenham melhorado. Esta é a melhor forma de tratar a infeção presente e também impede as bactérias de desenvolverem resistências ao antibiótico. No caso de animais destinados à cadeia alimentar, respeite os intervalos de segurança de modo a assegurar que não existirão resíduos dos medicamentos na carne ou leite quando estes produtos são consumidos.

Mantenha atualizado o seu registo de tratamentos A melhoria do uso dos antibióticos requer transparência e responsabilidade por parte de todos os operadores relevantes, incluindo veterinários e criadores. Tanto os veterinários como os criadores têm um papel importante na manutenção de um registo exato dos dados de todos os tratamentos administrados. O uso desses dados permitirá avaliar os tratamentos e fazer ajustamentos no futuro sempre que indicado.

Dialogo aberto entre criadores e veterinários. Alimentos seguros provêm de animais saudáveis. A qualidade de um produto depende muito do modo como os animais são criados e mantidos. O diálogo aberto entre os criadores e os veterinários é vital para assegurar animais saudáveis e produtivos. Recomenda-se que o criador estabeleça com o seu médico veterinário um programa de maneio talhado às características e necessidades específicas de cada exploração. Deve ser avaliado o risco de contrair doenças e por em pratica medidas de precaução e também protocolos de ação perante certas ameaças. Se tiver alguma questão em relação à resistência aos antibióticos não hesite em discutir o assunto com o seu médico veterinário.

 

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